MUSE : “A GUITARRA NÃO É MAIS O INSTRUMENTO LÍDER DE UMA BANDA”

Nesta tradução do MuseBR de uma entrevista para a BBC, Matt faz mais algumas declarações polêmicas sobre música, insinuando que rock é coisa de velho e que a guitarra perdeu a majestade do rock. Ele contou um pouco sobre suas inspirações para escrever Thought Contagion, e revelou que agora mora nos EUA, país natal da noiva Elle Evans. Também respondeu nossas perguntas preferidas de sempre: quando sai o novo álbum?, e quando irão sair em turnê?

 

Muse: ‘A guitarra não é mais o instrumento líder de uma banda’

Por Mark Savage, repórter da BBC.

 

Os dias de astro do rock posando com uma Fender Stratocaster acabaram?

 

“A guitarra se tornou mais um instrumento de arranjo do que o elemento principal de uma música”, Matt Bellamy contou à BBC. “E provavelmente isso é uma coisa boa. A melhor coisa do período que vivemos na música é que você pode misturar os gêneros clássico, rock e hip-hop na mesma música. Toda banda de rock tem meio que um pé no passado, tocando instrumentos como a guitarra, o baixo e a bateria.”

 

O Muse sempre gostou de se aventurar em diversos estilos de música, misturando rock progressivo, música eletrônica, R&B e elementos de ópera em suas músicas, feitas para encher estádios.

Em seu último single, Thought Contagion, o trio apostou nos sintetizadores:

 

“Foi a primeira vez que usamos um 808 desse jeito,” disse Bellamy. “Sempre ficamos atentos ao que está acontecendo ao redor, e abraçamos influências de coisas que achamos legais na música contemporânea. Isso sempre foi um dos nossos jeitos de fazer música.”

 

Nos últimos anos, o pop e o hip-hop substituíram o rock como o gênero dominante na Inglaterra e nos Estados Unidos. A maior prova disso é a lista dos 40 singles mais vendidos de 2017: nenhuma banda de rock apareceu nela. No mercado de álbuns, mais visado por pessoas mais velhas, 7 dos 40 álbuns mais vendidos do ano poderiam ser considerados de rock, incluindo As You Were, de Liam Gallagher, e Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, o álbum de 50 anos atras dos Beatles.

Mas as últimas bandas grandes a despontar na cena do rock alternativo, incluindo Imagine Dragons e Twenty One Pilots, praticamente abandonaram a guitarra elétrica, preferindo as texturas e batidas empolgantes do hip-hop.

 

“Me parece que ‘gênero’ era uma estética a que as pessoas se prendiam, não apenas na música, mas também na maneira como se vestiam e no tipo de amigos que escolhiam,” disse Bellamy. “Eu percebo que isso acabou, e o mais legal nisso é que você pode misturar estilos, inclusive de diferentes épocas. Por exemplo, você tem uma artista como Lana Del Rey, que escreve uma música que soa como algo dos anos 50, mas a letra fala de videogames. Isso é interessante porque você mistura os estilos e cria algo perene, que não está necessariamente associado a um período na história. Se torna algo etéreo e diferente.”.

 

Mas enquanto as oportunidades criativas da música moderna trazem energias renovadas para o Muse, a situação política inspira as composições de um jeito menos alegre.

Thought Contagion foi inspirada pelas notícias da TV americana, que influenciaram bastante os eleitores na última eleição:

 

“Estamos vivendo uma época onde a verdade tem menos espaço na mídia do que as fake news, e isso é assustador”, disse Bellamy, que atualmente vive nos Estados Unidos. “Quando você mora nessa bolha, e enxerga essa bolha, a pior coisa é perceber que as mentes de milhares de pessoas podem ser influenciadas por sistemas de crenças falsos e pensamentos equivocados.

O título da canção veio de um livro do cientista Richard Dawkins, que sugeriu que “pensamentos podem se tornar contagiosos e se espalhar como vírus, não importando se são verdadeiros ou não”. O refrão diz, “vocês foram mordidos por alguém que realmente acredita / foram mordidos por alguém mais faminto que vocês”. Ele explicou que a letra se refere a pastores e gurus cujos “sistemas de crenças estão ameaçados de alguma forma. Eles são os que gritam mais alto, e ocupam o maior espaço na mídia.”

 

A música é a segunda faixa do oitavo álbum de estúdio do Muse, que desta vez está sendo escrito uma faixa de cada vez.

 

“Até me lembra de quando estávamos começando, de como fazíamos as músicas naquela época,” diz Bellamy. “Você fica pensando, ‘Temos que dar o máximo nessa faixa,’ não importa se é um EP, ou um single ou uma b-side. Você pensa mais em uma ou duas músicas de cada vez, ao invés de pensar em 12, 13 músicas ao mesmo tempo.”

 

Matt disse que os planos são “lançar o álbum no fim de 2018, e sair em turnê mundial em 2019.”

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