MUSE REVELA SEGREDOS E CURIOSIDADES SOBRE SIMULATION THEORY – ENTREVISTA RADIO X PARTE 1

Não restam dúvidas de que cada lançamento da banda é um acontecimento único. A genialidade de Matt, Chris e Dom se renova a cada álbum, e com Simulation Theory não foi diferente. Agora que todos tiveram a chance de ouvir cada música nova algumas dezenas de vezes (não minta, você sabe que é verdade), é hora de descobrir alguns segredos e curiosidades sobre o álbum.

Em entrevista exclusiva à britânica Radio X, em frente a um público de fãs sortudos, o trio conversou sobre o processo de composição de Simulation Theory, as origens da banda, e o que o futuro reserva.

Nesta primeira parte, descobriremos tudo que eles quiseram revelar sobre a gravação e as inspirações de seu novo trabalho. Nas próximas partes, saberemos ainda mais sobre cada faixa de Simulation Theory, o passado e o futuro da banda!

  • Foi a primeira vez em muito tempo que a banda compôs músicas durante turnês.

            Dom conta que o trio não quis simplesmente encerrar a turnê Drones e voltar para o estúdio para lançar outro álbum, então decidiram que alternariam períodos de shows com momentos de composição e trabalho em novas músicas.

  • Matt diz que os fãs levam uns 5 anos para começar a gostar das músicas novas.

            A primeira vez que notou o fenômeno foi na era Absolution. “Nós lançamos uma música chamada Stockholm Syndrome, e eu lembro que na época entrei em um fórum e as pessoas estavam dizendo que era uma porcaria, que era metal esquisito, e cinco anos depois todos a amavam”, e diz que o mesmo aconteceu com Supermassive Black Hole.

  • Por que lançar tantos singles antes do álbum?

            Matt explica que o lançamento de diversos singles antes do álbum também serviram para que os fãs já soubessem que tipo de música esperar. Eles mesmos dizem que perceberam que costumam alternar álbuns “rock” com produções mais experimentais, então depois do inovador The 2nd Law, tivemos o pesado Drones, e o novo álbum segue esse padrão, abraçando técnicas e estilos modernos.

  • Quase que não rolou a turnê de Simulation Theory.

            Matt diz que esta foi a melhor experiência que já teve produzindo um álbum, e que gostou tanto que quase não quis sair em turnê. “Eu só queria ficar no estúdio e fazer outro álbum, direto”.

  • Sem o computador que Matt tinha quando era novo, talvez Muse não existisse.

            Pelo que Matt lembra, um dos motivos para Dom querer ser seu amigo quando eram jovens era seu computador Amiga 500, um modelo popular no final dos anos 80, que rodava muitos jogos. Dom conta: “Acho que às vezes eu ia na sua casa e você nem estava lá, mas a sua mãe era tão legal que me deixava entrar. Aí você chegava e eu estava no seu quarto jogando no seu computador.” Matt também diz que perdeu o costume de jogar videogame quando envelheceu, mas agora que Bing está se interessando em jogos, ele voltou ao hobby, e isso foi fundamental para inspirar Simulation Theory.

  • “Você sabe que a sua banda não vai a lugar nenhum, vem tocar com a gente.”

            Dom conheceu Matt porque ele sempre tocava em apresentações e concursos musicais na escola, e o convidou para tocar guitarra em sua banda porque achava que os outros membros não eram tão comprometidos com música. Chris tocava bateria em outra banda, mas Matt o convenceu a tocar baixo com eles com um argumento simples: “Você sabe que a sua banda não vai a lugar nenhum, vem tocar com a gente.”

  • Influências dos anos 80

            Matt diz que se recentemente se interessou por jogos em Realidade Virtual, e essa experiência o levou de volta à época que era criança e jogava no computador, trazendo inspirações de jogos, músicas e filmes dos anos 80. Menciona a trilha sonora de filmes como The Thing, Aliens, De Volta Para O Futuro. “Acho que tem algo nesse álbum onde eu tento me reconectar com a nostalgia daquele período.”

  • Matt ficou mais otimista quanto à tecnologia por causa de videogames e realidade virtual.

            “Drones era um álbum meio apreensivo com relação a tecnologia, automação, inteligência artificial. Acho que quisemos adotar uma visão mais otimista.” Matt também diz que um jogo em realidade virtual chamado Star Trek: Bridge Crew o fez pensar com otimismo em relação ao futuro, pois um dia os humanos poderão explorar o universo inteiro por meio de simulações. “Se o poder computacional atual mantiver o ritmo de crescimento, em um certo ponto poderemos simular com precisão as leis da física em um computador.

  • Além de jogos e filmes, Matt é muito influenciado por livros.

            Ele conta que estava conversando com um dos produtores da futura coletânea Origin of Muse, e lembrou que Origin of Symmetry foi fortemente influenciado por um livro que leu na época, Hyperspace, de Michio Kaku, e que essa foi a primeira vez que percebeu que podia compor músicas com base em ideias surreais e criativas de outras pessoas. Também diz que são poucas as músicas lançadas ao longo da carreira que têm teor mais pessoal, pois prefere conceitos maiores e mais diversos.

  • Matt tem as ideias, mas toda a banda compõe as músicas.

            Chris conta que Matt compôs as ideias-base de quase todas as músicas do álbum, e depois as levou até ele e Dom para que fossem desenvolvidas em ensaios. Outras, porém, foram criadas em estúdio, tais como Dig Down, que teve mais participação de todos os membros da banda desde o início.

  • A banda evita a zona de conforto.

            Dom: “Às vezes é difícil sair de sua zona de conforto, mas é bom fazer as coisas de um modo diferente de como você está acostumado. É bom tentar fugir disso e não se repetir. Se você está desconfortável com o que está acontecendo no estúdio, normalmente é um sinal de que as coisas estão indo na direção certa.”

  • O baixo de Chris está mais tão presente quanto antes, mas altamente distorcido.

            Chris conta que nos álbuns anteriores, o som do baixo era definido bem no início da produção, com base no equipamento que tinham para tocar ao vivo. Com Simulation Theory, a abordagem foi diferente. Gravaram o som de baixo limpo e depois o modificaram de diversas maneiras com programas específicos, para que sua sonoridade fosse transformada em algo que é “meio baixo, meio sintetizador”.

  • O álbum consiste em uma batalha entre orgânico e digital.

            Isso vai da temática das músicas até o processo de composição, quando a banda discute se cada elemento de cada música será eletrônico ou produzido com instrumentos. “Estamos na era do código, da programação, onde a maior parte das músicas é produzida por uma pessoa com um laptop, e a ideia de uma banda se reunir e tocar música está se tornando mais rara.” Chris conta que tiveram bastante cuidado para respeitar o estilo original da banda, já que estavam explorando tantos sons e instrumentos diferentes.

  • A banda envolveu diversos produtores

            Simulation Theory contou com diversos produtores envolvidos, apesar de a banda ainda manter controle direto de tudo que estava acontecendo. A produção de The 2nd Law seguiu o caminho contrário, contando apenas com a banda e um engenheiro de áudio no estúdio, e Drones teve participação do lendário produtor Mutt Lange.  

  • Algumas versões alternativas são as originais.

            Matt revela que a maioria das músicas foi concebida acusticamente, com violão e piano, antes de receber o tratamento eletrônico. A banda concorda que se alguém ouvisse as gravações do início de 2017, teria certeza que finalmente sairia o “álbum acústico” da banda. Algumas dessas formas acústicas foram aproveitadas como as versões alternativas das versões Deluxe e Super Deluxe do álbum. E Matt completa: “As versões antigas de algumas músicas são melhores ou tão boas quanto as do álbum. Por exemplo, adoro as duas versões de Dig Down, The Dark Side também. Sem limitações de duração de CD, ficamos livres para incluir todo tipo de material que quiséssemos”.

 

Na parte 2, serão reveladas curiosidades e histórias sobre as músicas de Simulation Theory. Um prato cheio para quem curte descobrir tudo que pode sobre Muse!

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