Matt disserta sobre Jimi Hendrix
Na edição dessa semana da revista britânica NME, vários artistas foram convidados a falar sobre Jimi Hendrix, e Matt Bellamy foi um deles.
Confira a tradução do seu depoimento:
“Eu me interessei mesmo por guitarras quando eu tinha uns 12 anos. Naquela época eu não gostava muito de música pesada. Eu gostava do tipo de coisa que o meu pai tocava – Dick Dale e afins. Mas aí eu vi um vídeo do Jimi Hendrix tocando o seu famoso show no Monterey Pop Festival de 1967. Mais do que a música, o que mudou a minha vida foi a liberdade, a expressão que ele trazia para a performance. Havia uma sensação de perigo imprudente, que teve seu ápice no momento famoso em que ele quebra a guitarra e toca fogo nela, no fim. Para mim, Hendrix é mais que melodias ou acordes, há toda uma energia que ele trazia para o ato de tocar guitarra, a maneira que sua personalidade psicodélica, louca e levemente drogada se incorporava ao que ele estava tocando. Ele dominava tão bem seu instrumento que você esquece que ele sequer estava tocando um instrumento. Ele foi pioneiro em usar o próprio estúdio como um instrumento – arrancando sons incomuns até que o ambiente fosse só uma extensão da sua criatividade. Nós trabalhamos nos Electric Ladyland Studios em parte do ‘Black Holes & Revelations’. O design do lugar é bem incomum: eles não o mudaram desde que Hendrix o construiu, mas ainda parece bastante futurístico. Foi interessante porque as pessoas pensam que o Hendrix foi uma pessoa melancólica, não pensam no espaço sideral. Ele foi uma das primeiras pessoas a construírem seu próprio estúdio, em parte porque os gastos com seus álbuns anteriores haviam sido astronômicos por causa do seu grande perfeccionismo; ‘Gypsy Eyes’, por exemplo, foi regravada 43 vezes. Eu me relaciono com esse tipo de perfeccionismo. Eu mal posso imaginar os tipos de sons impossíveis que ele seria capaz de tirar de um estúdio moderno.”
Fonte: NME Magazine
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