Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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Especial NME: "Se você publicar isso, vão achar que sou louco" (Parte III)

Terceira e última parte da matéria publicada em Novembro de 2001 e republicada em Maio de 2010 como parte da Edição Especial MUSE da revista NME. Texto de Victoria Segal.


Sentado no ônibus da turnê com bancos de couro lilás, Matt está novamente falando sobre violência. Ele gesticula energicamente, substituindo o piano imaginário de ontem por ressoar as pulseiras elásticas em seu pulso.

Eu tive alguns graves incidentes de fúria no trânsito recentemente, ele diz, São sempre esses caras velhos, de uns 60 anos. Tenho certeza que não fiz nada assim tão errado. Houve uma vez que eu estacionei  ilegalmente na calçada para que eu pudesse usar o caixa-eletrônico e esse outro carro veio e deliberadamente deu uma batida no meu carro só prá falar que eu estava errado. E eu gritei, SE TOCA!

Ele conta isso com o mesmo rosnado alarmante que ouvimos ontem.

E porque ele me ouvir falar isso, o velho saiu do carro com um pé-de-cabra e começou a acertar as lanternas do carro. E era o carro da minha mãe também. Eu só fiquei sentado no carro rindo dele, pois não podia acreditar o quão trágico era. Eu tinha uma câmera de vídeo comigo e eu o estava filmando fazer aquilo e ele começou a ficar extremamente envergonhado sabendo que tudo que ele havia feito tinha sido filmado. Eu ainda tenho esse vídeo em algum lugar. Um policial não faria isso, faria? Mas policiais, professores, as porcarias dos seguranças… Eu sinto que eles não confiam ou não gostam de mim automaticamente, e eu nem fiz nada. Eu só entro em algum lugar e me sinto como um alvo.

Eu costumava ser expulso de clubes o tempo todo, ele relembra. Uma vez alguém me pegou pelo pescoço e literalmente me jogou porta afora.

O que você estava fazendo?

Eu estava dançando meio esquisito e eu acho que parecia que eu estava mijando.

Você sai da linha para provocar alguém?

Na verdade não, porque isso significa que eu posso apanhar, e eu não sou muito grande. Embora eu nunca tenha apanhado prá valer – só jogado pros lados um pouco.

Você acha que a sua contenda com o Stereophonics seguiu um padrão similar? Eles eram os fanfarrões e vocês eram aqueles que dançavam esquisito…

Eu pensei a mesma coisa. Talvez eles saibam – não eles necessariamente, mas pessoas como eles, que odeiam o que eu faço – que eu não dou a mínima e que eu estou vivendo a melhor época da minha vida. Aconteceu de novo outro dia. Eu estava entrando no Astoria e um cara quis começar uma briga comigo, me chamando de ‘babaca inútil, bobão incompetente’ , as bobagens de sempre. Isso só me afetaria se ele me batesse. Caso contrário, eu só dou risada!

As trilhas que as letras malucas de Muse fazem são bem marcadas – o drama de “Micro Cuts” ou “Screenager”, o senso de um futuro frio, as referências a sangue e solidão. O que você acha que você traz a essas convenções?

Eu não sou completamente egoísta, ele sorri.  O que eu sei sobre esse mundo é o que os meus sentidos me disseram, então, de certa maneira, explorar o mundo é explorar a você mesmo. No processo de procurar por uma alma, se é que isso existe mesmo, durante o caminho você esbarra em um tipo de loucura onde você encara seus piores temores e sonhos. Eu acho que é a beira da loucura. Eu posso sentir isso quando estou no palco, momentos de insanidade, um tipo de ‘eu não sei o que está acontecendo’, uma total perdição. Como ventriloquismo, ou Quero Ser John Malkovich.”

Por todas as armadilhas de estrelismo roqueiro e sofisticação que cerca Muse na estrada – a blusa de seda em estilo Japonês feita especialmente para Matt, as belas jovens, os clubes noturnos que ficam abertos apenas para eles – não é difícil de ver uma pontada de nerdice aparecendo através da autoconfiança, a intensidade de Matt o entregando ocasionalmente.

Eu não queria dizer isso, soa risível, ri Matt. Se você publicar isso, vão pensar que eu sou louco. Eu tento expressar muito sobre como me sinto em relação à nossa evolução como pessoas. Esperanças e temores a respeito do futuro. A possível direção em que estamos todos indo. O nome do álbum ‘Origin of Symmetry’ veio de um livro sobre a geometria do universo e como está tudo em perfeito equilíbrio, perfeito em dez dimensões. Explica todas as forças misteriosas para qual inventamos explicações religiosas.

Ele explica uma analogia de como a humanidade é como um verme rastejando em um pedaço de papel. Ele fala sobre misteriosas catacumbas no sudeste do Iraque, e misteriosas placas prevendo línguas. Ele também teve a boa vontade de rir muito.

Quando eu estive em Boston recentemente, o Pentágono foi atacado, ele explica. Havia uma pessoa lá que tinha um amigo que era piloto e ele estava preocupado que o amigo estivesse morto. No calor do momento, ele começou a falar de todas essas coisas e nos mostrou alguns websites e livros. Soou tudo muito inacreditável, mas definitivamente há alguma coisa lá. Eles encontraram essas tábuas que estão em linguagem de computador, cheio de gráficos. Há um 11º planeta, que na verdade é geotérmico, e há vida lá e quando ele está ao alcance de nosso planeta, eles vem. Eles deliberadamente nos clonaram para um quinto da inteligência deles, e nós apenas usamos um quinto do nosso cérebro.

Ele dá de ombros e ri.

Eu me divirto muito com esse tipo de coisa. Eu não necessariamente acredito em tudo isso, mas é importante que as pessoas saibam.

Como uma teoria da conspiração ridícula e confusa, um show de Muse é um impressionantemente convoluto, massivo e divertido evento. Enquanto Chris ataca as primeiras fileiras com seu baixo e Dom deixa que a bateria leve todas suas inibições, Matt canaliza falsettos de outro mundo e senta-se ao piano e joga pétalas vermelhas que tira da manga de sua blusa de geisha. As músicas, todas elas, desde os mais antigos singles para os mais extremos momentos de ‘Origin’ soam absolutamente ridículas e magníficas na mesma proporção. É difícil se lembrar de qualquer banda em tempos recentes – ou pouquíssimas em todos os tempos – que se nivele a isso.

Ao final do show, quando as luzes se acendem, Dom e Chris correm no palco e borrifam champanhe no público.

Será Muse a banda que dá voz àqueles que são muito sensíveis para contemplar assassinatos de velhinhas mas são durões demais para aceitar o status quo? Ou será apenas três jovens com um grande talento para grandes performances vivendo o melhor momento de suas vidas?

Matt deveria ter a última palavra.

Eu acredito que crenças são apenas quando você conclui o conhecimento que você obteve até agora, e a confusão é que quando você chega à essa conclusão você se bloqueia para coisas novas, ele disse anteriormente. Então eu acho que geralmente é bom não chegar à conclusão alguma.

Especial NME: Se você publicar isso, vão achar que eu sou louco (Parte I)

Especial NME: Se você publicar isso, vão achar que eu sou louco (Parte II)

Comments: 5

  • Laisa

    29 de agosto de 2010
    reply

    Eu adoro muito essas entrevistas! *-* E, Matt, todos sabemos que você usa mais de um quinto do seu cérebro. Você é um deles.
    (esse útlimo trechinho que o Matt disse me lembrou muito Douglas Adams…)

  • coltsfan

    30 de agosto de 2010
    reply

    o Matt as vezes me dá medo…

  • musemaniac14

    30 de agosto de 2010
    reply

    ele me da medo tb, é muito legal ver que alguem que nos admiramos tanto conseque ser tão interresante quanto suas palavras, musicas, o matt é d+, como o dom e o chris é claro, e ainda por cima faz agente rir com ele de tudo que ele toma por convicção, ele é d+++… mesmo…

  • Izaa.

    30 de agosto de 2010
    reply

    Matt é todo cabuloso! uahshuas *—*

  • dannyy

    30 de agosto de 2010
    reply

    E isso tudo me encanta de um jeito que eu não consigo explicar. É de uma inteligencia sutil e grandiosa ao mesmo tempo.

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