Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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MUSE no Brasil? Eu fui!

Muse no Brasil, por Cristina Renó.

Antes de começar a narrar os fatos que me tornaram uma muser muito invejada, devo acrescentar que o que aconteceu não foi devido à ‘sorte’. Foi preciso muito esforço e sacrifício. MUITOS detalhes foram suprimidos dessa narrativa com a finalidade de deixa-lo mais curto e fácil de ler.

Vai começar, galeraaaaaaa!

 

DIA 08/04 – Sexta-feira

Saí de São José dos Campos com destino a São Paulo para ver os shows de abertura do MUSE (abrindo para o U2) na sexta-feira, dia 08 de abril. Ao chegar à cidade, minha primeira atitude depois de deixar minha bagagem na casa de minha amiga, foi me dirigir ao hotel onde me foi dito que a banda se hospedaria. Seria o mesmo hotel onde o U2 ficaria então não me surpreendeu o esquema de segurança montado quando chegamos lá. Havia vários policiais e seguranças, com barreiras montadas na calçada mais externa à frente do hotel. O que me surpreendeu foi a quantidade de fãs que estavam lá: tinha uns 5 fãs do U2 e nenhum do MUSE. Fiquei chocada!

Depois de ficar lá por mais ou menos uma hora e meia na esperança de que eles chegassem, eu vi, de longe, descer do carro um grupo de pessoas conversando animadamente. Perdi toda a reação quando vi que aquele grupo de pessoas era Dom, Kirk e Morgan. A única coisa que consegui fazer foi olhar boquiaberta, os três rindo de alguma coisa e entrando no hotel. Eu segurei o braço de minha amiga, a Mems, que também faz parte da equipe do MuseBR, e exclamei “É o DOM!” e pronto! Eles já tinham entrado no hotel e sumido de nossa vista. Eles nem olharam em nossa direção, imagino que acharam que nenhum daqueles fãs com camisas do U2 e segurando LP’s do U2 estavam ali para vê-los. É claro que depois disso, sabendo que eles estavam lá, não queríamos ir embora. Ficamos lá por mais umas três horas na esperança de que eles saíssem ou de que o Chris e o Matt também chegassem, mas nem sinal deles novamente. Como já era tarde, o caminho até em casa era longo e no dia seguinte teríamos o primeiro show (e o primeiro dia de uma longa espera na fila), fomos embora com a sensação de que talvez se tivéssemos chamado ou feito algum tipo de sinal para chamar a atenção deles, poderíamos ter falado com eles ali naquele momento. Mas…

Fila do Morumbi no sábado de manhã!

 

DIA 09/04 – Sábado

O meu sábado começou muito cedo: às 5h eu estava me levantando para ir para a fila do Portão 2 no Morumbi. Enchi uma mochila com protetor solar, boné, água e lanchinhos e fui encontrar minha companheira na fila, a Lays, também integrante da equipe do MuseBR. Eu já estive em São Paulo várias vezes, mas isso não me faz conhecedora dos caminhos de São Paulo então é claaaaaro que me perdi no caminho até o Estádio e isso fez com que eu chegasse um pouco mais tarde do que eu pretendia.
A linha 5119-10 que peguei em direção ao Morumbi estava cheia de fãs do U2, com camisetas e faixas. Já comecei a me sentir uma “outsider” ali, com meus bottons do MUSE em minha roupa! Ao descer do ônibus e ver aquele mar de gente em frente ao Estádio eu me assustei; eu nunca nem entrei num estádio e nem nunca tinha visto tanta gente junta (E ainda era 7h da manhã, isso queria dizer que ainda ia chegar MUITO mais gente!). Tive que engolir todas as minhas fobias, respirar fundo e me dirigir para a fila!

Só quem já amargou um dia inteiro numa fila para um show sabe como é: tem que ficar ali, faça chuva ou faça sol e naquele sábado o sol estava inclemente. Eu estava preparada com protetor solar, boné e guarda-chuva fazendo o papel de guarda-sol, mas ainda assim estava difícil aguentar o calor e o fedor que saía de um bueiro bem ao nosso lado.
Pouco antes do horário programado (às 16h), os portões se abriram. Naquele dia eu sabia que as chances de conseguirmos entrar na Inner Circle eram remotas, então quando entramos corremos para a grade do lado de fora da Inner e fiquei muito satisfeita de ver que o lugar que estávamos era muito bom! Mas então começou a segunda parte (e a mais difícil) da espera. Seriam 4 horas antes do show começar e, se na fila do lado de fora não há muito o que se possa fazer, quando você está do lado de dentro não há NADA que se possa fazer (nem mesmo um xixizinho), senão esperar!

O lugar onde estava, quase na grade da pista.

A ansiedade já tinha tomado conta de mim quando os técnicos subiram ao palco para ajustar os instrumentos. Ver a bateria do Dom, os baixos do Chris e as guitarras do Matt logo ali na minha frente era uma coisa tão esquisita que não parecia real.

Às 8h em ponto as luzes se apagam e a intro de Uprising (aquela dos manifestantes) começa. O sentimento que me tomou é simplesmente inexplicável. Uma mistura de descrença misturada com a alegria imensa de saber que eu estava a poucos segundos de vê-los de perto e ouvir ao vivo a música que eu tenho como a melhor que eu já ouvi me banhou, junto com a chuva, que caiu durante toda a apresentação da banda naquele dia. Lembro-me bem de ter visto o Chris abrir os braços para a chuva, olhar para o Dom e rir, do com uma expressão de “Que raio de chuva é essa?”.

Durante todo o show eu pulei e gritei junto com a única muser que estava perto de mim: minha amiga, da equipe do MuseBR. Mas ao olhar em volta e ver os olhos das pessoas que tinham ido até lá para ver o U2, e a maioria que nunca nem tinha ouvido falar da banda, eu podia ver a admiração e a incredulidade por nunca ter sabido nada sobre aquela banda tão poderosa até aquele momento.

Muse não se deixa intimidar pelo fato de saber que quase a totalidade das pessoas que estavam ali, não estava ali por eles. Muito pelo contrário. Eles tocam como se todos estivessem ali por eles. E, por mais que você compre os CD’s e DVD’s da banda, você só sabe o que é a música deles quando a ouve ao vivo. Quanto poder! Quanta habilidade! Todo amor que eu sentia pela banda parecia transbordar do meu peito e parecia que eu ia explodir de tanta felicidade.

Matt seduzindo os fãs de U2 *-*

Eu conheço todas as músicas da banda, praticamente tudo o que eles já cantaram, eu já ouvi. Então ter que se contentar com um Set de apenas oito músicas é muito triste. E depois de ouvir Uprising, Supermassive Black Hole, Stockholm Syndrome, United States of Eurasia, Hysteria, Starlight e Plug in Baby, nas primeiras notas de Man With the Harmonica, a introdução a Knights of Cydonia e última música, eu senti que poderia ficar lá a noite inteira e ouvir todas as músicas deles que eu simplesmente não me cansaria. Quando a banda se despediu do publico alvoroçado, me senti feliz por ter comprado ingressos para todos os shows! Aquilo era só o começo, e não o fim!

Quando acabou o show, eu até cheguei a me esquecer de que dali a alguns minutos o U2, dono da festa, entraria em cena. Eu sempre gostei do U2, desde sempre. Nem me lembro de qual foi a primeira música que ouvi, pois sempre fez parte da minha vida. Mas nunca foi a mesma admiração que senti de imediato por Muse. Eu sempre gostei do Bono, mas não é a mínima fração do que eu sinto por Matt Bellamy, que chega a ser uma idolatria quase doentia. E quando o show deles começou, não posso dizer que não senti nada, pois isso seria uma mentira, mas posso dizer que meus olhos estavam ofuscados pelo brilhantismo do que eu havia acabado de presenciar. Matt, Chris e Dom me deram tudo o que eu queria e eu não precisava de mais nada. Curti o show do U2, mas morrendo de vontade de que acabasse para que eu pudesse falar sobre Muse, comentar o show e contar como havia sido lindo! O caminho de volta para casa parecia não ter fim e a quantidade de pessoas na rua não ajudava a ir mais rápido. Demorei mais de 3 horas para chegar à casa da minha amiga onde estava hospedada. E quando cheguei já comecei a arrumar as coisas para o show do dia seguinte! Era 4h da manhã e lá estava eu arrumando minha mochila para o próximo show. Mas felizmente, depois de alguns minutos o cansaço me venceu e eu dormi por algumas horas.

Minha companheira de RED, Flá, e eu na fila antes de abrirem os portões.

Dia 10/04 – Domingo

Eu sabia que meu domingo seria muito mais tranquilo, pois nesse dia iria na RED Zone, o que me poupou um dia inteiro na fila. Cheguei ao Morumbi às 14h e havia apenas 44 pessoas à minha frente na fila, sendo a primeira delas a minha companheira de RED, uma fã enlouquecida (do U2), que chegou à fila às 2h!!! Ao entrar no estádio, pouco mais de uma hora depois, consegui tranquilamente ficar na grade da RED e ter momentos tranquilos, pois ali nós tínhamos espaço para nos sentar confortavelmente (mesmo que fosse no chão), sair para ir ao banheiro e voltar ao mesmo lugar, e comer um lanchinho sem que isso tivesse que se tornar uma guerra para alcançar o tio que o estava vendendo!

Os equipamentos da banda na lateral do palco, no domingo!

E pelo segundo dia consecutivo eu levei meu cartaz super-duper indecente (que não havia citado até agora, pois foi só no segundo dia que ele surtiu algum efeito).

Naquela noite choveu, e choveu muito mesmo! E pior, fazia frio! Na RED Zone não havia aquele “calor humano” que havia na pista no dia anterior, tinha até espaço suficiente para eu ver o meu pé, então até a hora do show começar eu senti muito frio!

E choveu até literalmente o último minuto. Tentaram colocar uma tenda para a bateria do Dom, mas não deu muito certo por causa da plataforma onde ela se encontrava. Colocaram uma tenda para o equipamento do Morgan e cobriram o piano do Matt com tantas toalhas quantas possíveis. Isso atrasou o início do show em alguns minutos, mas pouco depois das 20h as luzes se apagam e começa a incrível Dance of the Knights e é impossível não se emocionar com essa intro. Qual fã da banda ainda não assitiu HAARP e não se emocionou com a música de abertura do show em Wembley? Antes mesmo de eles entrarem no palco eu já estava chorando. Felizmente consegui me recompor a tempo de pegar os primeiros acordes de Plug in Baby com a visão clara.

Matt mostrando porque o Bono o comparou a Jimmy Hendrix!

Nessa noite, o Matt entrou no palco com uma capa de chuva e o Dom estava vestido com seu famoso macacão estilo mergulhador, mas não caiu uma gota de chuva durante o show. Nessa noite também eu resolvi imitar o Matt e usar um óculos azul com luzes piscantes. O Matt perdeu o dele logo no começo do show, mas eu mantive o meu até o fim do show. Entre as músicas eu gritava coisas como “I love you, Muse” ou então “I’m here for you!” e tenho certeza de que fui ouvida em várias ocasiões. A combinação desses fatores resultou que, no meio do show veio alguém da produção, tirou uma foto minha e entregou uma palheta na minha mão! Devo acrescentar que isso aconteceu exatamente na hora em que o Matt jogou a guitarra no Dom, e por isso eu acabei perdendo a oportunidade de ver e só fiquei sabendo disso há poucos dias, quando vi um vídeo no youtube! Mas quando eu vi aquela palheta amarelinha na minha mão, objeto de desejo de muito muser por aí, eu só conseguia gritar de alegria e a galera toda da RED dando tapinhas nas minhas costas e dizendo “Parabéns!”.

Eu e meu cartaz polêmico que me rendeu uma palheta no show do dia 10/04.

A noite seguiu incrivelmente linda. Depois de Plug in Baby, Resistance, Time is Running Out, Feeling Good (quando eu enlouqueci ao vê-lo cantando no megaphone), Uprising, Starlight e Stockholm Syndrome, novamente ouvir Man With the Harmonica anunciando o inicio do fim foi triste.

Mas eu estava feliz! Tinha conseguido uma palheta e, mesmo não tendo sido pelas mãos do próprio Matt, sabia que pouquíssimas pessoas tinham aquele privilégio.

Eu me acabando no dia 10/04. Que delícia!!!

Naquela noite consegui assistir ao show do U2 feliz e sem pressa para que acabasse (até porque eu nem sabia como ia voltar para casa). Como eu estava na grade e muito perto da passarela, tive a oportunidade de ver Bono, The Edge, Larry e Adam muito de pertinho, o que me deixou ainda mais feliz.

Ao chegar em casa, várias horas depois, eu sentei no sofá e chorei como criança. Chorei de alegria, de emoção. Tinha tido a oportunidade de ver meus heróis se apresentando duas vezes, bem pertinho de mim. Ganhei uma palheta. E ainda não tinha acabado; as expectativas para o setlist do terceiro e derradeiro show eram as maiores! Já era quase de manhã quando consegui pegar no sono e finalmente descansar depois da maratona do fim-de-semana.

Mas isso não queria dizer que tinha acabado: eu dedicaria os próximos dois dias para encontra-los, onde quer que fosse, custe o que custar! Então vocês podem imaginar a minha decepção quando acordei na segunda-feira e dei de cara com a notícia de que eles estavam em Angra. Meu primeiro pensamento foi de pegar o carro e ir para Angra. Mas então me lembrei de que tinha deixado meu carro em São José dos Campos e que me levaria muito tempo e dinheiro para realizar esse empreendimento. Então engoli minha decepção e fiquei em São Paulo me preparando para o show de quarta-feira! Só depois de muito tempo percebi que nada poderia ter me preparado para o que aconteceria naquele dia. Nem mesmo toda expectativa, todo desejo.

(Continua)

Comments: 13

  • Marina Ferreira

    17 de abril de 2011
    reply

    Cris, vc TINHA que ter ficado comigo e o @JimmyKane_ no sábado. Nós entramos depois de vcs no estádio e conseguimos ficar na Inner, era só uma questão de achar a entrada dela… De qualquer forma, adorei sua saga! Também me senti um ponto perdido no meio daquela galerona do U2 UHAUHASUAS.

  • musemaniac14

    17 de abril de 2011
    reply

    esperando ansiosamente pela continuação, pelo DIA 13!!!
    eu estou me acabando de felicidade aqui so de ouvir o relato, imagine estar lá e poder cantar todos os refroes, gritar pro DOM, CHRIS E MATT que eu amo todos eles e chorar que nem uma criança boba em CITIZEN, eu imagino a continuãção, mas a coisas que so vendo pra crer mesmo… CITIZEN E BLISS no mesmo dia, depois dessa eu morreria de ecstasy na certa…

  • Coltsfan

    17 de abril de 2011
    reply

    MUITO FODA! só! *-*

  • Laisa

    17 de abril de 2011
    reply

    Fala sério, o seu cartaz é o melhor. rio muito imaginado o matt lendo-o. UHEUHE

  • Steff

    17 de abril de 2011
    reply

    alguém da produção, tirou uma foto minha e entregou uma palheta na minha mão!

    Tirou foto sua? Eu acho que vc vai aparecer na galeria do muse.mu heim!

    • Cris_of_Cydonia

      17 de abril de 2011
      reply

      É, rapaz! Mó medão disso acontecer =OOO

    • dannyy

      20 de abril de 2011
      reply

      Tô só esperando a foto da Cris lá, abrindo a galeria!!!

  • Gi.Dias

    18 de abril de 2011
    reply

    que tristeza eu não fui TT-TT

  • Nicole

    19 de abril de 2011
    reply

    aaaaaaaaaaah que foda, vou ler a parte 2!

  • Izaa.

    19 de abril de 2011
    reply

    foda demais! mas nao fui. arrependimento* D:

  • dannyy

    20 de abril de 2011
    reply

    Ain Cris, tô muito emocionada com seu relato!!! Vou ler a pt.II.

  • Michael

    24 de abril de 2011
    reply

    ahh cris estou morrendo de inveja mas que já leu meus coments passados sabem que eu estava chorando amargamente enquanto ouvia Origin of Symmetry

  • Tatiany

    9 de novembro de 2011
    reply

    Nháah eu fuiii *———-*

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