Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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Reading Festival, nós estávamos lá!

Todos que acompanham o site pelas nossas redes sociais sabem que estivemos no Reading Festival 2011, onde o Muse foi headline do último dia do festival, que aconteceu entre 26 a 28 de Agosto deste ano. O festival foi um marco importante para a banda pelo fato de coincidir com o 10º aniversário do álbum Origin Of Symmetry, onde a banda criou um palco especial e apresentou todas as músicas do CD em comemoração.

Como de costume, sempre que temos a oportunidade de presenciar um show da banda, postamos aqui uma resenha pessoal de como foi o evento. Falamos informalmente sobre a apresentação da banda e do acontecimento de um modo geral. Mas desta vez queremos fazer algo diferente! Vamos contar como tudo se passou, desde o planejamento da viagem, as reservas, a ida à Europa, os dias antes do festival, o show e o pós-show até, enfim, o retorno ao Brasil.

O sonho que terminou há uma semana está prestes a ser recontado em todos os seus mais importantes e emocionantes detalhes. Mas antes de começar, observem que:

  • O texto está colorido de azul, rosa e verde, para que você saiba quando muda o narrador do artigo.
  • Se você está interessado apenas na review do show, vá direto para “O Show”.

Esperamos que gostem e tenham uma boa leitura, pois para nós foi muito emocionante escrever! Preparados?

Preparação

Tudo começa algumas semanas após os shows de abertura do Muse para a turnê do U2 no Brasil. Inconformado por não ter assistido a nenhum dos shows e decepcionado com a não confirmação da banda para o Rock In Rio, vejo a notícia de que a banda apresentaria faixa-a-faixa o álbum Origin Of Symmetry no Reading Festival 2011. O OoS é, de longe, meu CD favorito da banda, é impossível explicar o que Bliss significa para mim, então pensei, “Preciso ir!”.

Pra mim tudo começou com uma ideia meio maluca de fã, sem lá muitas esperanças, e que acabou se concretizando realmente, para minha surpresa e extrema felicidade. Acho que é difícil traduzir em palavras o quão emocionante foi essa viagem para mim, por isso contarei de forma breve como tudo aconteceu.

Nem fiz contas de quanto isso me custaria ou se eu tinha este dinheiro, apenas comecei a procurar desesperadamente por alguma companhia. Dentre vários talvez, alguns amigos confirmaram: Lays, Andrey, Letícia e Marina. Muitos de nós nem nos conhecíamos pessoalmente, mas quem tem o costume de ir a shows de música sabe que isso é mais do que normal, então começamos a nos preparar. A Lays e eu fizemos tudo juntos, enquanto o restante da galera ia nos dando posições pela internet, e assim começamos um período preparatório bem agitado, estava muito em cima da hora.

Para mim, o primeiro passo foi emitir o passaporte. Fiz o pedido no site oficial e paguei a taxa, depois de alguns dias fui à delegacia da minha cidade, onde apenas recolheram digitais, assinatura e foto, e em uma semana já estava em minhas mãos aquele documento lindo (tirando a foto) que me permitiria realizar um grande sonho. A Lays, que já tinha passaporte, só precisava de uma autorização para viajar, o que foi facilmente arranjado também.

Enquanto os ingressos para o Reading Festival não começavam a ser vendidos, precisávamos nos livrar dos nossos ingressos do Rock In Rio, o que foi até fácil. Difícil mesmo foi convencer meu chefe a alterar a data das minhas férias para que coincidisse com o período do festival. A Lays ainda tinha uma missão complicada de convencer os pais a faltar na semana de provas, e mais, a bancar toda a viagem! Mas nada que um pouco de drama não tenha resolvido nossos problemas.

Passaporte em mãos, férias confirmadas, missão impossível da Lays cumprida, hora de comprar o mais importante: ingressos para o show, passagens e hospedagem. Ter um cartão de crédito internacional nessas horas é fundamental.

A compra dos ingressos foi um pouco confusa para nós, pois faltava pouco tempo para o festival e não sabíamos se eles chegariam no Brasil a tempo. Tivemos que abrir mão do site oficial para comprar os ingressos no See Tickets, único parceiro de vendas do Reading Festival que prometia a possibilidade de retirar o ingresso em Reading, em vez de enviar por correio. Para nós era a única forma de termos certeza de que pegaríamos os ingressos, então compramos e passamos um mês “amolando” o pessoal do atendimento ao consumidor para garantirmos a retirada dos nossos ingressos na terra da rainha.

Agora precisávamos das passagens e hospedagem, então procuramos a CVC para nos passar os planos. Com os valores em mãos começamos a pesquisar na internet e concluímos que um pacote de viagens nessas horas não compensava (em termos financeiros), o que nos levou para o lado difícil, porém econômico, de reservar tudo por conta própria.

Como os preços de passagens da CVC eram competitivos (e parceláveis), compramos nossos bilhetes aéreos com eles. Levamos um pequeno susto quando descobrimos que também precisávamos pagar um seguro de saúde obrigatório nada barato para sermos aceitos na Europa. Foi nesse momento que decidimos ir à Europa não somente para o Reading Festival, mas também para fazer um pequeno tour por lá e fazer jus a esse grande investimento financeiro, que só ia aumentando. Nosso voo foi marcado para o dia 19, e a volta seria no dia 29 de Agosto.

Agora era hora de reservar os hotéis. Como nossos planos mudaram de “Reading e o acampamento” para “Reading e Londres”, precisaríamos de dois bons locais para relaxar, nada de acampar. Apesar de sermos pouco exigentes (“só” queríamos conforto, boa localização, internet e preço baixo), passamos facilmente uma ou duas semanas pesquisando incessantemente algum hotel, sem nada encontrar (principalmente em Reading, por estar quase tudo lotado no fim de semana do festival). Quase desistindo e partindo para os hotéis mais caros, em uma última tentativa encontramos em Londres a LSE Northumberland House, e em Reading a Reading Student Village. Pelo website de cada acomodação fizemos as reservas e pagamos um pequeno adiantamento para confirmá-las, mas da mesma forma que com os ingressos, passamos um mês trocando e-mails para garantir nossos quartos (somos bem prevenidos).

Com passaportes, ingressos, passagens e hospedagem providenciados, era só esperar chegar o dia da grande viagem. Até lá fomos organizando os detalhes menores: um roteiro com os passeios pelos pontos turísticos que desejávamos conhecer (foi aí que surgiu a ideia de ir em Paris), passagens de trem-bala para Paris, um cartão de débito no estilo cash passport para levarmos algum dinheiro, consultas e mais consultas aos mapas na tentativa de decorar todos os locais de interesse, separação dos documentos necessários para a viagem, uma olhada no guarda-roupas, na previsão do tempo, ida ao cabeleireiro, compras no supermercado, na farmácia, no shopping… tentávamos prever todas as situações possíveis e o que precisaríamos nelas, e fomos organizando. Muita leitura em sites na internet sobre viagens para a Inglaterra (assim nos preparamos para a tão temida entrevista de imigração), leitura nas regras da cia. aérea na questão de bagagens proibidas, leitura nas regras do festival, etc. É muita leitura (sem trocadilhos com “Reading”).

Em um belíssimo dia o super-pai Chris Wolstenholme anuncia que no dia 29 de Agosto realizará uma partida de futebol em Londres. Nos sentimos com muita sorte, pois ainda estaríamos por lá no horário do jogo e iríamos marcar presença!

Com tudo pronto, só precisamos conter os nervos por alguns dias até que chegasse a tão esperada data. As malas foram feitas às vésperas (a mala da Lays tinha o dobro do tamanho da minha, risos) e no dia 19 saímos cedo de nossas casas. Para mim a viagem começou às 10AM, e eu sabia que teria que passar por um táxi, três ônibus, um avião, outro ônibus, outro avião e um metrô, além de muito tempo de espera entre um e outro, para chegar ao hotel em Londres em mais de 24 horas depois (a Lays só escaparia dos três primeiros ônibus).

A Chegada

Foram muitos dias de ansiedade que antecederam ao dia de embarque, e mais umas longas horas de vôo para chegar ao nosso primeiro destino: Londres.

A ida foi totalmente tranquila e dentro do previsto (desconsiderando as 1h30min de atraso do voo para Londres). O nosso primeiro grande desafio seria no aeroporto internacional de Londres, onde passaríamos por uma entrevista (em inglês) em que precisaríamos convencer a autoridade a nos deixar entrar no país (qualquer deslize poderíamos ser deportados para o Brasil imediatamente). Devido à pressão eu imediatamente perdi a voz e esqueci todo o vocabulário, então a Lays explicou o que iríamos fazer. Eu acordei novamente só quando a fiscal falou diretamente comigo. Nessa hora, mostrando a passagem de volta para o Brasil à fiscal, ela carimbou imediatamento nossos passaportes, não havia mais o que questionar, já que o mais importante já estava provado: voltaríamos para o Brasil (infelizmente). Agora que tínhamos o visto para ficar em Londres a emoção atingiu níveis altíssimos.

Fizemos todos aqueles passeios clássicos de turistas, passamos por aventuras que nos fazem dar muitas risadas até hoje, andamos pela cidade inteira até não sentir mais as pernas, enfim, nos divertimos pra caramba. A segunda parada foi Paris, e a essa altura da viajem eu só tinha uma coisa em mente: “O Reading está chegando!”.

Passamos uma semana incrível passeando (queimamos no sol, tomamos chuva, ficamos cansados de andar, ficamos enjoados de tanto sanduíche e suco ruim, passamos sede, fome, raiva com o inglês de alguns estrangeiros, corremos pra não perder trens, ficamos loucos em Paris e suas placas só em francês, enfrentamos filas gigantes e bêbados chutando suas malas e gastamos todo nosso dinheiro). Mas no fim todo o sacrifício valeu a pena. Conhecemos praticamente tudo em Londres e Paris, estamos orgulhosos de nossas fotos exibicionistas em todos os lugares (inclusive atravessando a Abbey Road), testamos nosso inglês e amamos o sistema de metrô. Nos últimos dias já não tínhamos problemas com o idioma e pegávamos metrô na grande cidade sem nem mesmo olhar os nomes, de tão simples que ficou (mapas a gente precisou só no primeiro dia).

Aproveitando o momento, queria deixar registrado também, um agradecimento especial para os dois bêbados que deram as melhores boas-vindas a alguém que eu já presenciei na vida. Foi o bicudo mais bem dado e vindo do nada na mala do boss do Muse BR logo nos primeiros minutos em Londres, que quase me matou de rir na hora e durante todos os dias da viagem em que eu me lembrava daquele momento.

Reading

Pulando para a parte que realmente interessa, depois de todos aqueles dias de passeio, lá fomos nós ao nosso terceiro e últimos destino, rumo à pequena cidadezinha de Reading.

Refizemos mais ou menos nossas malas e fomos para a estação. Como já havíamos passado por um aperto alguns dias nesse mesmo lugar já sabíamos como funcionava, então não tivemos problemas desta vez para comprar passagens de trem, e em meia hora já estávamos na pequena, mas não menos impressionante, cidade de Reading, onde galochas estavam na moda e os ônibus tem wi-fi.

Por falar em galochas (o que considero um dos símbolos do Reading Festival), fomos em busca das nossas assim que deixamos as malas no hotel.

O Festival

Depois de comprar as botinhas a Lays já foi direto para o festival. Eu não quis pagar o dobro por um ingresso na porta do evento, então fiquei assistindo no hotel pela BBC3. Era dia 28, faltava apenas um dia para o grande show do Muse, a coroação da nossa viagem!

Fui ao segundo e terceiro dia de festival, pois o lineup do primeiro dia não me agradou muito. Apesar de o grande dia ter sido o domingo, no sábado teve grandes shows também. Meu aquecimento pré dia 28 foi ao som de The Kills, Everything Everything, Madness, Bombay Bicycle Club, Pulp e The Strokes! (sim, eu consegui perder Two Door Cinema Club e Cage The Elephant) Mas nada mal, não é mesmo?

E você, que leu fielmente até aqui, já deve estar pensando: “finalmente chegou o dia, não aguento mais ler!” (risos), mas aguente mais um pouco, ainda há um último acontecimento cômico que preciso compartilhar.

Depois do show do The Strokes a Lays voltou para o hotel. Eu, já no décimo sono, acordo com alguém batendo na minha janela. Advinha se não era a Lays, desesperada, do lado de fora? Ela não conseguia abrir a porta (risos). Por sorte estávamos no primeiro, caso contrário ela não poderia me acordar para abrir a porta da recepção.

Bom, e depois daquela noite de sono preparatória, chega o grande dia!

Enfim, o meu dia mais esperado do ano, até então, chegou. Fui para o festival uniformizada com a camiseta do Muse e com as boas e velhas wellies.

Havíamos alugado lugares em um ônibus particular do hotel que levaria os hóspedes para o festival. Às 11AM saímos do hotel e em alguns minutos descemos na porta de entrada para os acampamentos do festival. Lanchamos e compramos alguns suprimentos do lado de fora e nos dirigimos para a entrada. Depois de uma caminhada, um Red Bull, 3 seguranças e 30 minutos mais tarde, estávamos na arena do Reading Festival, e já havia uma banda tocando e uma ilha de gente na nossa frente.

Tranquilos por ainda faltar muito tempo para o show do Muse, fomos na loja de produtos oficiais comprar a camiseta comemorativa do Origin of Symmetry, com a data dos shows de Leeds e Reading nas costas. Logo depois começamos a mergulhar no mar de fãs na tentativa de ficar em um bom lugar no show do Muse. Faltavam 7 bandas até que fosse a vez do Muse.

Toda pessoa que vai em festivais sabe que durante a troca de uma banda e outra é muito fácil avançar e ficar cada vez mais perto do palco. Haveriam 6 trocas de bandas pela frente, e pensamos que seria fácil cruzar os 50 metros que nos separava da grade.

Não vimos a apresentação da banda We Are The Ocean, e só pegamos o final do show da Taking Back Sunday. Enquanto a terceira banda se preparava para entrar no palco, avançamos mais um pouco. Terminando o show do Frank Turner (eu gostei muito, por sinal), conseguimos avançar mais, e já estávamos há uns 20 metros da grade. Foi a vez da The View, e mais uns 5 metros e uma bandeira do Brasil no telão. Nessa hora percebemos que mais ninguém se moveria dali, eram todos fãs do Muse e estavam tentando fazer o mesmo que nós: chegar o mais perto possível do palco.

Bom, pelo menos já estávamos perto suficiente, e contentes com o lugar há uns 15 metros do palco. Até que começou o show da Enter Shikari. Nessa hora a coisa ficou tensa. As pessoas ficaram tão loucas, foi tanto “empurra-empurra”, que eu só consigo comparar com uma torcida fanática de futebol brigando com a adversária. Eu estava de blusa de frio, mas foi tão complicado que, sem notar, a blusa já havia saído do meu corpo e estava sendo pisoteada pela multidão, junto com meus pés e até parte das pernas. E era só a primeira música dessa banda, e ainda teriam outras três bandas pela frente. Inconformado, concluí que precisava sair dali naquele momento, ou iria sair com algum osso quebrado. Fui pra longe e fiquei desanimado por perder um ótimo lugar para assistir o show (nunca, em toda minha vida, assisti um show de longe).

Quase morri prensada, e ainda tinha que ficar esperta pra fugir das rodinhas punks tensas e das pesadas de wellies com barro de bônus no crowd surfing. Ou ainda o crowd surfing te presenteava com alguém bem acima do peso caindo em cima da sua cabeça ou quase quebrando seus braços. Momentos de sofrimento. E para completar, a música era ruim. A partir de então, fui me animar só com o divertido show do Friendly Fires e com impecável Interpol.

Nessa hora a Lays e eu também nos perdemos. Era cada um por si agora. Ela continuou ali, há uns 25 metros do palco. Eu, quando me vi, estava fora da multidão e não sabia o que fazer. Então comecei a me aproximar outra vez. Desta vez com uma tática diferente, mas não menos conhecida: ir para a grade no canto, onde ninguém fica, e então, já na grade, ir andando para o meio. Dessa vez deu certo (ou quase). Eu fiquei na grade, há uns 5 metros do palco, mas não estava exatamente no meio do palco, eu estava um pouco para o lado, em baixo do telão. Logo, a visão não era das melhores, mas com certeza ainda sim era muito boa!

Enquanto isso o show da Friendly Fires já havia começado. Bem de perto assisti este e o show do Interpol e Elbow (com direito à bandeira do Brasil da Letícia no telão). Até que, finalmente, Elbow para de tocar, e a espera começa tudo outra vez!

O Show

Acabado o show do Elbow, o palco foi tampado com um pano laranja para o cenário a lá Origin of Symmetry ser montado. A essa altura da noite a ansiedade novamente batia à minha porta, meu objetivo principal da ida ao Reino Unido estava prestes a acontecer.

De onde eu estava era possível ver o palco ser montado lá dentro. As torres sendo colocadas, o telão descendo no fundo do palco e os instrumentos sendo levados. Tudo sendo contemplado por milhares de fãs cheios de expectativa que, por sorte, tiveram esta pequena fresta para espiar.

E aí, finalmente, começa a intro, com música de Tom Waits e projeções baseadas na capa do álbum aniversariante, como prometido. Ainda com o palco coberto, Matt no piano começou a tocar New Born. Ao ouvir aquele primeiro Mi, entrei num estado de euforia plena, pois mesmo tendo acabado de começar, eu já tinha a certeza que seria o melhor show da minha vida.

Até então, só víamos Matt, Dom e Chris pelas sombras emitidas nessa tela laranja que escondia o palco. E cada vez que a sombra de algum deles aparecia, gritos ecoavam na multidão. A tela só foi subir e mostrar o palco e a banda na parte em que entra a guitarra e a bateria em New Born. Não preciso nem dizer o quanto contribuímos com os gritos, certo?

Em seguida, Bliss! Ainda estou em dúvidas se é a minha música favorita de todas, mas com certeza é uma das favoritas. Coisa linda de se ver e ouvir.

Para mim foi o ápice do show. Fiquei sempre na expectativa de ouví-la ao vivo. Cantei bem alto e com toda paz e alegria da minha mente cada trecho, como se fosse a última vez que a ouviria.

Como manda o Origin, depois de Bliss tem Space Dementia! Piano surreal, fiquei em choque em ver isso ao vivo, e aí só fui acordar pulando com Hyper Music. Eu não tinha visto nenhum vídeo ou comentários do show de Leeds, então foi uma grande e boa surpresa ver o Chris cantando o refrão.

Nestas horas você esquece até a sequência do CD, mas após Hyper Music os seguranças começaram a trazer os balões de olho para a frente do palco. Todos sabiam o que viria pela frente.

Eu nunca tinha presenciado tanto gente pulando e cantando ao mesmo tempo como foi em Plug In Baby. Quando o Matt começou aquele riff, o Reading inteiro enlouqueceu!

Se no show da banda Enter Shikari quase morremos esmagados, agora, com Plugin Baby, muita gente ganhou hematomas. Tanta gente estava sendo carregada por cima da galera para sair do meio do agito que por um momento parecia que a grade de segurança havia sido retirada e estavam todos invadindo aquele espaço vazio entre o palco. A equipe de uns 30 seguranças ficaram loucos carregando mais e mais gente desmaiada, passando mal, e até mesmo com fraturas (sim, é terrível presenciar isto, mas acontece). O pior foi quando, no meio de tantos pulos, uma multidão perdeu o equilíbrio e caiu (tente imaginar um monte de pessoas caindo no chão barrento, uma em cima da outra, e sem espaço suficiente para se apoiar e se levantar novamente). Por sorte escapamos de toda essa loucura e aproveitamos mais o show.

E como no Origin of Symmetry é música boa atrás da outra, Citizen Erased na seqüência. Primeira vez que vimos Citizen ao vivo, espetacular! Final lindo de morrer.

Todos cantavam as músicas, fazendo o espetáculo ainda mais bonito. E como esse foi nosso primeiro show do Muse em terras estrangeiras, achamos incrível ver a galera em peso cantando as músicas do início ao fim (pois, como vocês sabem, aqui no Brasil a banda não é tão conhecida assim, e dos shows que fomos aqui, as músicas que todos sabiam cantar eram só Supermassive Black Hole e Starlight, infelizmente).

Daí em diante, músicas mais calmas, deu para dar uma respirada e apreciar o show com mais sossego. E se você quer saber se alguém cantou Micro Cuts junto com o Matt? Não! Ninguém consegue.

De tão cansados, Screenager e Dark Shines passaram num piscar de olhos. Acordei novamente com Feeling Good, música linda de cantar juntos, e depois respirei mais um pouco de ar em Megalomania. Não só a gente, mas toda a multidão perdeu as forças e parou de pular após Citizen.

Finalizada a primeira parte do show, que foi épica por sinal, começou outra intro. Sirenes avisavam que Uprising estava por vir. A segunda parte foi cheia dos grandes hits, e que apesar de serem músicas que eles tocam com freqüência, é sempre bom ouvir e pular junto mais uma vez, obviamente.

É como se o show tivesse recomeçado, ou apenas acabado de começar. Forças surgiam em nós e em toda a multidão, fazendo com que todos conseguissem cantar bem alto e pular muito novamente, como se não tivéssemos passado por um épico Origin of Symmetry agora há pouco. Com certeza estaríamos muito surpresos caso a Lays não tivesse a curiosidade de olhar o setlist do Leeds Festival antes do nosso embarque para Reading. Imagino a emoção daqueles que acamparam e ficaram sem internet ou não se comunicaram com outras pessoas para saber sobre o bônus de hits que viria.

Supermassive Black Hole seguido por Hysteria agitaram muito a galera. Cada vez que Matt ou Chris andavam fora do palco, em um espaço reservado para os holofotes, a galera ali perto (e eu, que estava lá) surtava com a proximidade dos ídolos.

Novidade eu fui ter, além dos lança-chamas de Stockholme Syndrome, quando Chris e Dom começaram a tocar a Helsinki Jam, e depois Undisclosed Desires, porque não tocaram elas na passagem pelo Brasil no início do ano abrindo os shows do U2.

Nessa hora Matthew também ficou bem perto, ali naquele lugar ao lado do palco, com sua keytar iluminada. Como não morrer?

Depois começa Resistance, mas após esses singles matadores eu já estava sem fôlego, então assisti tranquilamente, cantando só um pouco dos refrões, para aguentar até o final do espetáculo. Quando eu pensei que teria que chamar os seguranças para me tirarem dali ou ia desmaiar, a banda começa a tocar Starlight.

Todo fã busca suas últimas forças para cantar e bater palmas sincronizadas nessa música, e foi o que eu fiz. Me surpreendi com a recuperação, e aproveitei o ânimo para emendar com Time is Running Out, outra das minhas preferidas.

Já lá para o final do show, guardei as últimas energias para Knights of Cydonia. E sempre que começam Man With A Harmonica + Knights of Cydonia me bate aquela sensação de “Mas poxa, última música já?”, e dessa vez não foi diferente.

Eu já sabia que seria o final, então não me importava se desmaiava daqui 5 minutos ou não, então eu gritei, cantei e pulei muito até o fim da música no embalo da galera, e só pensava no que estava vivendo ali naquele momento. E era tudo muito bom!

Enfim, fim de show com direito a fogos de artifício, missão cumprida, alegria que não acabava mais e alguns hematomas de recordação em nós dois.

Eu fui já tendo em mente que seria um show pra se lembrar pro resto da vida, mas Muse sempre supera minhas expectativas. Músicos geniais.

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Pós Show e Futebol

O show tinha acabado, mas a saga não parou por aí.

Antes de contarmos o que aconteceu na segunda-feira, deixe-me apenas citar que fiquei 2 horas andando pelos acampamentos do Reading Festival à procura da saída. Foi terrível, pensei que eu nunca iria sair daquele lugar gigante, mas eu apenas havia ido para o lado errado.

Quando finalmente saio, pego o último ônibus do hotel para voltar e me lembro de uma pessoa: Lays! Havíamos nos perdido bem antes de começar o show do Muse, e a chave dela estava comigo. Ela ficou de fora denovo (risos), e dessa vez foi o segurança do hotel quem abriu a porta pra ela. Quando cheguei lá, detonado, apenas joguei as wellies no lixo e, todo cheio de barro, me deitei naquele lençol branquinho que com certeza iria dar trabalho para o pessoal da lavanderia no dia seguinte. Mas com certeza não fui o único!

Ao amanhecer pegamos um ônibus para a estação, pois precisávamos voltar imediatamente para Londres. O que não esperávamos eram milhares de pessoas na porta da estação querendo ir embora. A fila para entrar na estação era gigantesca, e ainda precisávamos comprar passagens! Passamos algumas boas horas ali.

Já de volta a Londres, fomos ao jogo de futebol que o Chris tinha organizado com os fãs. Aliás, num lugarzinho longe pra caramba. Tinha bastante gente lá assistindo, mas não tantas pessoas quanto eu imaginei que teria, felizmente. E aí, no meio da partida, no meio do pessoal, vi uma bandeira do Brasil. Foi essa hora que encontramos com a Letícia. E a tal bandeira do Brasil, foi parar nas mãos do Chris no final do jogo, quando eles fazem uma sessão de fotos. Mas vamos deixar ela contar esta parte!

Para mim, acho que o mais difícil foi chegar no local certo. Atravessar a cidade de Londres, sair na estação errada e fazer o resto do caminho a pé só com perguntas ao pessoal que morava por perto foi o trabalho duro. A partir do momento em que vimos a placa “The Hive”, parece que até o sol deu as caras (por dois minutos, lógico).

O caminho inteiro meu pai duvidava que o Chris fosse aparecer, por mais que eu dissesse que quem organizava as partidas era o baixista. Por isso, a primeira pergunta que me fizeram quando chegamos foi: “Cadê o cara?”. Não demorei quase nada para achar “o cara”; meio calvo e surpreendentemente mais magro. Mas era o Chris Wolstenholme, não?

Demos uma volta quase completa no campo até chegarmos num canto e nos instalarmos. Liguei a câmera e dei início ao “photoshoot”. Corre bola, corre Chris, senti alguém me cutucar nas costas, eu finalmente conheci o pessoal do Muse BR! Parecia que estávamos tentando fugir uns dos outros na semana passada, mas do santo jogo não passou.

Tirei a querida bandeira brasileira com os usernames de uns bons 90 musers da mochila e a amarramos na grade. Provavelmente chamaria a atenção do Chris uma coisinha tão “discreta” pendurada lá. E realmente deu certo! Juro por tudo que há de mais sagrado, eu vi o homem olhar para nós e para a bendita bandeira quando foram começar o segundo tempo!

E continuava o jogo, os fãs tirando fotos como se não houvesse amanhã (nos incluímos!), jogadores gritando “Go Chris! Go Chris!”, mas se teve um momento em que o campo parou foi quando Alfie, o Wolstenbaby #1, entrou na partida para dar seu apoio. Cheguei à grande conclusão de que o menino levava jeito pra coisa. Logo que entrou, já foi cobrando um pênalti e fazendo gol (mesmo que o goleiro tenha deixado a bola passar) e fez um passe para o pai, que também marcou o gol, esse de verdade.

O juiz apitou o fim do jogo (e acabou que até hoje eu não sabemos o placar). Mas isso não importava, a loucura ia começar agora (ou não). A primeira informação que recebemos a partir daí foi que não seriam permitidas fotos pessoais com o baixista, pois tinha muita gente e levaria muito tempo, por isso eles só tirariam foto em grupo com o pessoal que jogou. Já que era assim, pedi para que ele entregasse a bandeira ao Chris, expliquei que ela representava os fãs brasileiros que não puderam ir no festival e tirei uma foto dele segurando a bandeira, só para confirmar. Acho que fiz um cara feliz por acaso.

Chegou a hora das fotos, um amontoado de gente pronta  para tirar fotos se formou num formato meia-lua que começava na entrada do campo. Sabe qual é a maior emoção do mundo para um fã? Ver o baixista da sua banda preferida tirar todas as fotos possíveis, para quem quisesse e não quisesse ver, exclusivamente com a bandeira do seu país, sem baixar guarda um único segundo. Tudo bem, só na hora que ele viu que a bandeira estava de ponta cabeça.

Mesmo com o aviso do colega de que fotos pessoais não seriam permitidas, vi muitas branquelas correndo pro meio do campo e saindo com uma foto junto dele na câmera e um autógrafo no bolso. Depois de um rápido debate entre meu anjinho e diabinho, pensei comigo: “Por que não?”, e na companhia de Lays, fomos em direção dele, que por falar nisso, provou ser mais baixo e mais miúdo que na minha imaginação. Não por isso menos intimidador. Sim, eu tive vontade de cavar um buraco no meio do campo e de me enfiar lá dentro até que ele fosse embora. Graças a Deus, nada disso aconteceu.

Foi o momento de dar aquele jeitinho brasileiro. Eu e a Letícia passamos pelos seguranças, eu tirei minha tão desejada foto com o Chris e ela pegou o autógrafo dele. Boom, pregnants! (risos).

Lays saiu com uma foto perfeita e eu com meia foto e um autógrafo. Me lembro até agora da conversa de uns cinco segundos que eu tive com ele: “Chris, me dá um autógrafo! Eu sou a dona dessa bandeira do Brasil” “Claro..”. Que por sinal, foram os dez segundos (contando desde que eu comecei a falar até quando ele terminou de autografar) da minha vida. Aí acabou.

E foi até bom, porque eu já estava vendo os “seguranças” tirarem a gente do gramado na voadora. Ainda bem que era Inglaterra, e todo mundo lá era muito educado.

Só eu sem nada (chora). Mas segui à risca o que o segurança pediu. Somente as meninas e mais umas 10 estrangeiras invadiram o gramado. Enquanto isso fiquei na lateral tirando as últimas fotos para recordação, até que o segurança também pediu para que eu parasse de fotografar dizendo que eu já havia ficado ali o dia inteiro fazendo fotos (risos).

Depois disso, era hora de voltar para o mundo real.

Fomos eu, meus pais e a equipe do Muse BR embora juntos, desta vez fui para a estação certa, então nos despedimos da cidade, do país, do festival, simbolicamente, do Chris e da melhor semana das nossas vidas. Agora só falta minha mãe se despedir da ideia de comprar um teste de gravidez para mim depois de ter ficado altamente exposta ao poder de fertilidade do Chris.

A volta foi mais rápida do que pensávamos. Chegamos no aeroporto com folga para cumprir a burocracia de carimbar alguns formulários de impostos (sim, fizemos umas comprinhas, risos). O voo não atrasou, e chegamos no Brasil ainda de madrugada. Umas compras nas lojas Duty Free para torrar o resto do dinheiro que sobrou na viagem e cada um para sua casa com um milhão de histórias para contar, fotos, lembranças e uma experiência única e incrível.

Uma palavra que resume toda essa semana, e tenho certeza que falo por todos nós, é: “INESQUECÍVEL“.

Inesquecível a primeira viagem para a Inglaterra. Inesquecível o primeiro festival internacional. Inesquecível, e único, o show completo do Origin Of Symmetry. Inesquecível o clima descontraído da partida de futebol do Muse Team.

Vamos contar e recontar esta experiência para todos os nossos amigos até enjoarem. Vamos fazer álbuns de fotos e guardar atrás do vidro. Vamos sonhar com esses dias por muito tempo, mas esperamos que em breve possamos viver mais uma experiência tão incrível quanto!

Só temos a agradecer essa sorte, e esperamos que tenham gostado de nossas aventuras e não tenham achado um porre ler tudo isso! A quem leu tudo, muito obrigado!


Comments: 21

  • Raphael Jaques

    5 de setembro de 2011
    reply

    nossa q aventura , gostaria de passar por uma dessa um dia 😀

  • Marina Ferreira

    5 de setembro de 2011
    reply

    é. tanta coisa aconteceu nesse festival… queria ter aproveitado com todos vcs. é. é uma pena. mas teremos outra oportunidade. acredito nisso 😀

    • Steff

      5 de setembro de 2011
      reply

      Foi uma pena todos nós termos nos desencontrado, mas teremos outras oportunidades sim, eu espero!

  • Murilo kelevra

    5 de setembro de 2011
    reply

    poo essa historia de vc’s é foda… vc’s contando me fez lembrar da abertura q eles fizeram no show do U2 q foi muito bom… akele frio na barriga voltou aki agora… nossa muito boom muito bom… xD

  • Steff

    5 de setembro de 2011
    reply

    PS: todas as fotos na review foram tiradas por mim e pela Letícia, OK? *-*

  • Cris_of_Cydonia

    5 de setembro de 2011
    reply

    Gente, inveja master de vocês!!! Quanta coisa boa pra contar, hein? Quem sabe um dia a gente curte isso todos juntos, né? Amay *-*

  • Steff

    5 de setembro de 2011
    reply

    OMG apareci com a bandeira do Brasil no vídeo oficial! *surta*

  • beatrizbuenno

    5 de setembro de 2011
    reply

    inveja inveja inveja inveja u_u KKKKKK
    eu vi pelo BBC3 e foi mt lindo *–*

  • Carol

    6 de setembro de 2011
    reply

    ahh, quase chorei :” Agora eu quero ver essas fotos que a Lays e a Letícia tiraram com o Chris!

  • Nautkeasley Stewart

    7 de setembro de 2011
    reply

    Nossa, vocês representaram muito bem o Brasil! Só duas semanas depois eu fui perceber a bandeira de ponta cabeça kkkkkk Essa é só uma das primeiras histórias de Muse que vocês vão ter pra contar para os filhos e netos de vcs, já eu vou contar que vocês foram e eu não, mas o meu username tava na bandeira :~~ Agora é só esperar pelo dvd õ/ A única coisa que me deixa triste é não ter certeza se eu ainda vou ver Hyper Music ao vivo na minha vida =/

    • Steff

      7 de setembro de 2011
      reply

      o chris bem que podia começar mencionar os usernames da bandeira x.x

  • Gi.Dias

    7 de setembro de 2011
    reply

    Imagina a Felicidade ! Valeu equipe do Muse Br

  • Coltsfan

    7 de setembro de 2011
    reply

    Caraio, q épico! =’)

  • RoBellamy

    7 de setembro de 2011
    reply

    E ainda perguntam por que eu gosto tanto desse site. Meus olhos marejaram de tanta emoção lendo tudo isso. Vocês têm história pra contar durante anos rs. Demais! Obs: Rí muito da recepção dos bêbados kkkk.

    • Lays

      7 de setembro de 2011
      reply

      Pior que contando assim não chega nem perto de ser tão engraçado quanto foi ver aquela cena ao vivo. Eu tava andando atrás do Steff, e vi os caras chegando e armando o ponta pé de câmera lenta HUEAUHAEHUAEHUAEHUEAHUEA quase morri rindo

  • dannyy

    10 de setembro de 2011
    reply

    Uau!!! Nossa, tô sem palavras. Relatos assim sempre me deixam sem folego.

  • Izaa.

    18 de setembro de 2011
    reply

    nossa , perfeitooo. e nao conseguia parar de ler, mt emocionante *-*

  • Cris

    24 de setembro de 2011
    reply

    na gravação do show disponivel no youtube, faltam boa parte das músicas que eles tocaram na primeira parte do show, vocês sabem onde encontro o show completo?

  • Izaa.

    1 de outubro de 2011
    reply

    espero viver isso um dia!! sonho meeu

  • Nicole

    25 de novembro de 2011
    reply

    só agora consegui ler o relato, minha rotina não tá fácil! hahaha aaaaaaaai que mágico, nem sei o que dizer! a sensação que tive nos shows de 2008 e 2011 foram: tão perto, mas tão longe! mas vcs conseguiram! gostaria muito de ter esse privilégio, e acredito que muita gente no Brasil também!
    quem sabe na próxima passagem deles por aqui, não tenhamos histórias para compartilhar! aliás, nada supera estar em um lugar desconhecido, no outro hemisfério, sem ter a quem recorrer!
    MuseBr é um show de cobertura, acompanho o site desde o lançamento, logo após a tour em 2008!

    parabéns, vcs têm feito um trabalho excelente!

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