Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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[TRADUÇÃO] MATT, DOM E CHRIS DÃO DETALHES SOBRE O ‘DRONES’ PARA A SPAZIOROCK!

A menos de um mês do lançamento do altamente aguardado álbum Drones, a SpazioRock encontrou no centro de Milão, os três meninos ingleses fora da vista do cenário do rock hoje. Três anos depois de ‘The 2nd Law’, Muse voltou à cena com um disco construído em torno de uma profunda reflexão sobre a sociedade atual e a necessidade de (re)conquistar sua liberdade individual.
Cristina Cannata : Muse finalizou sua turnê ‘Psycho UK Tour’, shows curtos em lugares pequenos. Tocando canções como ‘Reapers’ e ‘Psycho’, junto a alguns clássicos e b-sides como ‘The Groove’. Podemos considerar um retorno a suas origens e som original?

 

chris_avatar“Musicalmente, acredito que este álbum é muito diferente. Foi uma grande experiência desempenhar estas canções de rock no nosso novo álbum e também foi agradável tocar em lugares mais pequenos, e tocar mais uma pá de outras, algumas que não havíamos tocado há mais de uma década. Foi genial poder atender o que o público nos pedia”.

 

Cristina Cannata : Matt, acredita que o Muse voltou efetivamente ao “real rock” como tinha dito há alguns meses?

 

matt_avatar“Sim, absolutamente voltamos aos nossos velhos sons. Nos últimos dois discos, pode-se dizer que me converti em um ‘produtor’. Passei bastante tempo brincando com os botões, com caixas de som, computadores, e todo tipo de tecnologia. Me agradou muito, era algo diferente. Mas pensei que era hora de voltar aos instrumentos clássicos: guitarra, baixo e bateria. E a naturalidade dessa mesma escolha, faz com que nossa música seja mais rock”.

 

Cristina Cannata : Como e quando entraram em contato com Mutt Lunge? Que elementos ele agregou ao seu som?

 

chris_avatar“Queríamos trabalhar com um produtor para este álbum, já que nos demos conta de que ia ter um conceito muito forte, em relação as letras. Assim que tivemos que fazê-lo forte musicalmente. Queríamos fazê-lo com muito mais rock, para expressar nossa personalidade. Sem um produtor, a banda à priori, termina vagando em diferentes direções… e é um pouco do que aconteceu com ‘The 2nd Law’. Nesse disco, temos experimentado muitos estilos diferentes, uma prova muito difícil! Mutt tem algumas opiniões muito fortes na área musical, e inclusive não interferiu na composição. Sem dúvida, ajudou a melhorar as canções.”

 

matt_avatar“Mutt também ajudou a deixar claro o conceito. Se interessou nisso desde o princípio, e com a criação da história.
Era muito consciente do importante elemento que era. E foi particularmente obsessivo em garantir que ficasse bem definido”.

 

Cristina Cannata : O riff de “Psycho” aparece desde muitos anos, como o ‘Outro’ de ‘Stockholm Syndrome’ entre vários. Por que decidiram incluí-lo dentro de uma canção do álbum?

 

chris_avatar“(Risos) Verdade. Tocamos este riff durante muitos anos e foi incluído neste caso. As pessoas se apaixonaram por este riff, pulavam quando o escutavam, e foi uma eleição lógica e espontânea fazer uma canção com ele. Com ‘Stockholm Syndrome’ e ‘Time is Running Out’, por exemplo, o público pula e canta, se diverte.
Quando há canções novas, o público simplesmente quer escutá-las. Psycho foi um caso à parte, porque já conheciam o riff. Logo foi fácil introduzi-lo”.

 

Cristina Cannata : Vocês lançaram um som eletrônico, Dead Inside. Que canção acreditam que vai ser a representante do som deste álbum?

 

dom_avatar“Dead Inside é provavelmente a canção que parece ser a mais eletrônica de todas, apesar de que realmente não é eletrônica. O resto do álbum é muito pesado. Algumas das canções, incluindo minhas favoritas ‘Reapers’ e ‘The Handler’, captam o que somos quando tocamos ao vivo. E é só guitarra, bateria e baixo. Me agrada”. 

 

chris_avatar“É muito difícil descrever o novo som. Há tantos elementos diferentes… Se levar em conta The 2nd Law, por exemplo, a pessoa pergunta: “Qual é a canção que mais o representa?” Um diz que é Madness ou Panic Station, que são basicamente diferentes tipos de canções. Mas não somos uma banda que segue uma fórmula. Há muitas bandas que têm uma fórmula para o sucesso, que se identificam com ela, e essa escolha de implementar e fazer as mesmas coisas sempre. Com Weezer, ou Rage Against The Machine, funciona. Mas nós nunca fomos assim, não gostamos de permanecer parados no mesmo lugar sempre. Acredito que este novo álbum também será, em certo sentido, inclusive não é um passo atrás, uma volta ao que éramos nos três primeiros álbuns. Mas, depois de tudo, será a volta de algo completamente diferente”.

 

Cristina Cannata : Acaba de dizer que o som do novo álbum é menos eletrônico que o anterior. Mas estavam convencidos de voltarem a um som mais direto. Ao que seria um power trio clássico. Acredita que é a hora de voltar a este tipo essencial de formação de rock?

 

dom_avatar“Sempre o considero interessante e muito potente. E creio que esta é a razão em sermos três, e não trazer um quarto integrante. Ser um trio, te faz pensar de uma determinada maneira, te faz poderoso. Eu, personalmente, fui influenciado por muitos power trio”.

 

Cristina Cannata : O que podem nos dizer sobre o conceito de Drones?

 

matt_avatar“É como se tivéssemos duas histórias dentro de uma. A primeira começa a partir de Dead Inside até Aftermath e fala de uma pessoa que perde a esperança, perde a fé em si mesmo, assim, é como se estivesse morto por dentro, é completamente manipulado, uma vítima de lavagem cerebral. Em canções como Reapers, Psycho, Mercy, se fazem submissas, e oprimidas. Em The Handler, estas pessoas estão começando a encontrar sua força interior. Em algum momento, se escuta um discurso de JFK, que é precisamente o momento em que uma pessoa se dar conta do que é a importância da independência e liberdade de expressão. Logo, em Defector, as pessoas lutam, para criar uma revolução contra as forças que os oprimem. É uma espécie de ciclo completo, um viagem muito obscura, o que leva ao reencontro do amor, em Aftermath. The Globalist, sem hesitar, tem uma história similar, mas termina mal : começa da mesma maneira, mas no final da viagem, só há solidão e destruição. Queria criar este tipo de mistério que te faz pensar: ‘Qual é o verdadeiro final do álbum?’. Ainda que o tema principal é o que vai de Dead Inside a Aftermath”.

 

Cristina Cannata : E de onde surgiu esta ideia?

 

matt_avatar“Li um livro sobre os ‘Predators’, os drones que a CIA utilizou na guerra. Comecei este livro para encontrar uma inspiração no interior, mas só por curiosidade, para ver o que estava acontecendo no mundo. Me peguei surpreendido pela quantidade de assassinatos que haviam feito, especialmente no Afeganistão e no oeste do Paquistão. Já estava muito surpreso por Obama quando entendi que ele estava envolvido no assunto: ordenou matar quase todos os dias.
Então, comecei a ler sobre como definir as características dos drones e em como integrá-los.
Em um álbum, de fato, vou mais além, idealizo o conceito de drones: falo de drones em forma humana, os homens que são utilizados e abusados para atuar como soldados robôs… incluindo as pessoas normais, que podem ser utilizadas como se fossem máquinas. Isto pode ser visto como uma metáfora para expressar a relação entre a humanidade e a tecnologia”.

 

Cristina Cannata : Quão certa é a história narrada em Drones? Qual é a advertência que deseja dar as pessoas?

 

matt_avatar“Acredito que a mensagem principal, é a importância de manter a sua autonomia, o controle de si mesmos. Quando uma pessoa experimenta algo ruim em sua vida é fácil desconectar e obter uma vantagem. Creio que a maioria das pessoas que se unem, ou entram em grupos religiosos extremistas, não têm controle completo de seus pensamentos, e de seus estados emocionais. Acredito que a advertência é o que pode acontecer quando se desconecta da humanidade, quando se privam dos sentimentos e emoções. Neste caso, se encontra em perigo, pode ser utilizado como um robô.
Resumindo, quando experimentamos algo que não gostamos, tendemos a evitá-lo. E nesse álbum se fala, de fato, se as coisas te tornarão um pouco mais frio. Tenho um forte desejo de expressar algo através das canções e na música”.

 

Cristina Cannata : Em um tweet, Matt fez alusão a uma possível sequência de Citizen Erased no novo álbum. Isso aconteceu de verdade?

 

chris_avatar“Na realidade, não. Matt havia lançado pistas quando começamos a trabalhar em The Globalist, dizendo que a letra seria mais do que a de Citizen Erased. Não sei, de fato, se há uma grande diferença entre as duas canções, é difícil vinculá-las entre si. À propósito, desde o ponto de vista da letra, tem muitos pontos em contato. De certo, não veio uma nova música como resultado de Citizen Erased, mas pode-se dizer que entre elas, há algum tipo de relação. E musicalmente, há semelhanças na forma em que se dispõem. Citizen Erased não tem um estilo tradicional, é uma espécie de ‘movimento’. The Globalist é ainda mais extrema, é uma canção que não tem rimas, nem tantos versos, que está constituída por fluxos, os movimentos com precisão. Há semelhanças, sem hesitar, em particular com as guitarras”.

 

Cristina Cannata : Em uma velha entrevista, Matt, disse que nunca fez aulas de canto, e que alguém lhe disse que tinha pulmões muito pequenos. O que mudou na sua forma de cantar desde Showbiz? Quais foram os truques que aprendeu para obter os resultados dos últimos anos?

 

matt_avatar“(Risos) Sim , eu nunca tive aulas de canto à princípio, mas nos últimos anos, eu tenho feito um pouco de sessões de treinamento vocal. Minha voz, inicialmente, estava mais fora de controle, que talvez tenha soado mais interessante porque era mais emocional, estranho e misterioso. Com o tempo, o que mudou unicamente foi ter controle de minha voz”.

 

Cristina Cannata : A decisão de criar um álbum conceitual, se entende como uma resposta a forma em que os ouvintes agora têm que escutar música, sem escutar o álbum inteiro, ou apenas escutar alguma única canção? O que há de novo nessa forma?

 

dom_avatar“O conceito parecia ser o correto. Foi quando decidimos fazer um álbum de acordo a dever ter um princípio e um final, algo que as pessoas possam escutar em sua totalidade, e em que cada canção tenha um estreita relação com a outra. Decidir um elo narrativo para nosso novo álbum era a melhor opção a se fazer, pelo simples fato de que queríamos ter um pilar na fortaleza do álbum, como uma só entidade, em sua totalidade. Não queríamos fazer um nicho de canções lançadas juntas ao azar, e dizer “sim, é um álbum”, porque seria uma coleção de canções de forma aleatória”.

 

Cristina Cannata : Dom, há alguém com quem gostaria de fazer uma colaboração?

 

dom_avatar“Jack White. Tive o prazer de vê-lo tocar faz pouco tempo, é muito bom, uma das coisas mais lindas que vi em minha vida. É um grande guitarrista. Sempre pode acontecer de ver algo que te faz querer subir no palco gritando, ‘Eu quero tocar também!’, e com Jack White isso me aconteceu na última vez”.

 

Cristina Cannata : Chris, o que teria acontecido se não estivesse no Muse? Como seria sua vida?

 

chris_avatarEu não tenho a menor ideia. Cresci tocando em bandas, fazendo música desde que tinha onze anos. Sempre acreditei e pensei que isto é o que faço, eu sempre estive envolvido com a música, porque é algo que eu gosto, algo que quero fazer, onde quero estar envolvido. Já sabemos que… tem que estudar, ir para a universidade e tem que ter um plano B. Eu nunca tinha pensado em um plano B. Eu fui para a universidade, comecei a estudar Direito, e depois de três meses, eu disse: ‘Pro Diabo esta merda! É muito chata!’, e me dei por vencido.
Acredito que eu nunca pude encontrar nada que me desse a mesma sensação que a música me dar. Não consigo me imaginar não estando envolvido com música.

 

Cristina Cannata : Depois das torres de The Resistance e os grandes estádios de The 2nd Law, com as chamas e lançamentos de “Musos”, já criaram alguns efeitos especiais para a nova turnê, ou talvez estão planejando um cenário mais fácil?

 

dom_avatar“O espetáculo será construído de acordo com o conceito. Creio que vamos utilizar alguns drones, estranhos objetos voadores e outras coisas similares. Vamos nos apresentar de uma maneira nova, nunca feita antes… Não posso antecipar nada, mas sei que vamos estar muito conectados com o público. Será um espetáculo muito diferente”.

 

Cristina Cannata : Depois da “Psycho Tour”, a turnê continuará com algumas datas em festivais, como o Rock in Roma, mas quando começará a turnê atual de Drones?

 

matt_avatar“Já neste verão, em alguns festivais, vamos tocar algumas canções novas. No decorrer, creio vai começar de setembro à outubro na América do Sul, antes de seguir para a América do Norte. Acredito que vamos estar na Itália por volta de março, não sei o dia exato, mas posso dizer que vamos fazer muitos concertos em lugares diferentes. Estaremos em Milão por uma semana ou mais”.

 

 

Fonte : SpazioRock 

 

Respira, acalme-se… São muitos detalhes, mas… E aí, mais animado(a)? Seguro(a)? Aterrorizado(a)? Ansioso(a)?

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Drone trilingue de inglês, francês e espanhol, raptado de outro dono e caçador de notícias nível expert. Programado para ser extremamente educado e gentil.

Comments: 5

  • Brenda Carvalho

    20 de maio de 2015
    reply

    Foi tão inspirador que até peguei meu caderno da faculdade, joguei na parede e disse : ” Pro Diabo com essa merda! É muito chata!”. Zoeiras à parte…. não tenho palavras pra descrever o que eu senti, apenas aguardo ansiosa esse cd!

  • Fau Melo

    20 de maio de 2015
    reply

    Por enquanto, só promessa de album pesado. Mercy e Dead Inside são eletronicas, puro pop. Vamos ver.

  • Leonardo Oliveira

    20 de maio de 2015
    reply

    Estou com excelentes eexpectativas pro álbum e agora tbm pela turnê. Entrevista excelente.

  • Flávia Amaral

    20 de maio de 2015
    reply

    Eles vão começar a turnê de shows solo por aqui!!!!!! Eu não tinha me tocado disso!!!!!! Que demais!!!!

  • Letícia Marcena

    22 de maio de 2015
    reply

    Minha ansiedade só aumenta.

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