Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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[TRADUÇÃO] MATT BELLAMY PARA A INDIE ROCKS

 

Muse: Transcender acima da humanidade

“Enquanto um monte de bandas em crescimento estão em uma luta constante contra a falta de permanência, existem bandas como Muse que sabem como maximizar seus pontos fortes para transcender”.

 

A noite cai na Califórnia, atual residência de Matt Bellamy. Os últimos acordes do sétimo álbum do Muse são ouvidos fracamente, as camadas vocais harmônicas dissipam-se suavemente, como a espuma das ondas que podem ser vistas através das janelas do Hotel Casa del Mar. Matt está preparando um chá enquanto ele fala sobre sua inspiração para criar “Drones”. Sua reação à minha pergunta bem específica me surpreende.

“Quando eu escrevo, eu não penso muito sobre isso, para mim, faz sentido. Quero dizer melodicamente. Mas agora, tendo que explicar assim, eu entendo de uma maneira diferente”.

Ele se senta ao meu lado, e ri, relembrando os primeiros shows do Muse, quando ele costumava se vestir como os tipos esportistas com quem andava na escola. Na realidade, ele é simples e amigável, com propensão para a naturalidade; e esse é o cara, cuja personalidade é admirada por milhões ao redor do mundo, por ser o homem expressivo, complexo e carismático à frente da banda. Ao mesmo tempo, ele é bem conhecido por ser responsável por um dos grupos britânicos mais importantes, que definiu a história da música.

Com exclusividade para Indie Rocks! Matt Bellamy revela alguns detalhes sobre o novo álbum conceitual, a filosofia por trás dele, e fala sobre voltar às suas raízes.

 

A personalização dos detalhes

 

Teignmouth, Inglaterra. Matt tem 10 anos de idade, começando suas primeiras tentativas na música. Ele está fazendo experiências com uma réplica de uma guitarra Fender Stratocaster pesada que tem em sua casa. Quando ele descobre que seu irmão não a quer mais, ele a corta para se livrar do peso extra. Lixa, pinta com “cores interessantes”, e a torna “sua”.

“Eu acho que a primeira experiência que tive com uma guitarra, foi para adaptá-la às minhas necessidades e gostos”.

Hoje, a empresa Manson Guitars faz o trabalho duro, na criação de guitarras personalizadas; a MB-1 tem um som impressionante e um painel Kaos Korg para controlar as frequências e os efeitos.

21 anos se passaram e colocaram o Muse onde estão hoje; superando as vendas de ingressos em turnês mundiais, vendendo milhões de álbuns em um momento complicado para as gravadoras e redefinindo a maneira de fazer shows ao vivo.

Eles têm obtido êxito em tudo, desde resolver os seus problemas pessoais, passando por ficar amigos por todo esse tempo, e até crescer seguindo sua visão sem se intimidar por limites, ao mesmo tempo permanecendo fiel ao seu som e intensidade. Não se preocupam com a moda e tendências populares.
Muse parece estar em uma montanha-russa que não tem fim, sempre surpreendendo, inovando e superando suas próprias realizações.

O primeiro concerto notável que Matt lembra que teve com Dom e Chris, foi quando eles eram chamados de “Rocket Baby Dolls”:

“Nós tínhamos 16 anos de idade na época, nos queríamos nos associar com góticos, porque costumávamos sair com três meninas que fingiam ser bruxas, e eu realmente gostava muito de uma. Elas costumavam usar roupas pretas, cantar e fazer um monte de coisas estranhas. Eu costumava pensar que elas eram muito legais, e elas nos influenciaram a começar a usar roupas góticas. Quando o dia do show chegou, nós parecíamos o The Cure ou algum tipo de fantasmas estranhos”, disse ele rindo.

 

Da Batalha de Bandas para estádios cheios

 

Um golpe de sorte, um show intenso que eles começaram sem qualquer expectativa, e que, finalmente, deu-lhes o primeiro sucesso, basicamente definiu o desenvolvimento do
Muse.

“Nós estávamos em uma batalha de bandas, já com a certeza de que iríamos perder, por isso, decidimos destruir tudo no palco. Nós queríamos ser diferentes, ferozes e bizarros”, disse.

Vencer o torneio fez Matt, Chris e Dom perceberem que eles precisavam começar a levar as coisas a sério, e eles começaram a escrever canções no porão de Bellamy. As mesmas músicas que foram gravadas mais tarde para seu primeiro CD, Showbiz.

Desde então, a banda tem transformado suas performances ao vivo, e começou a fazer uma conexão direta com o público mostrando-lhes virtuosismo ousado, rock clássico com mensagens poderosas que vieram do mundo dentro de Bellamy. Prova disso existe em DVDs ao vivo que eles lançaram, desde o famoso Hullabaloo em 2002 para um de seus últimos concertos gravados em 4K, no Estádio Olímpico, em Roma, no final de 2013.

Seus shows ao vivo não são só isso, eles têm uma impressionante variedade de tecnologia que ajuda o Muse a expressar diferentes dimensões da sua música. A responsabilidade de levar isso para outro nível foi de Es Devlin, que já trabalhou com Lady Gaga, Kanye West, Pet Shop Boys, Miley Cyrus, U2, Jay Z e Shakira.

Ela conseguiu realizar uma criação na Resistance Tour. Um cubo gigante flutuante para sua turnê de verão em estádio, para o qual ela se inspirou no projeto “Orwelliano” de um edifício que vê e controla tudo. O palco tinha várias camadas de telas e um design inovador do som. Os ingressos para seu primeiro show no estádio de Wembley esgotaram em menos de 15 minutos.

 

A pessoa contra o sistema

 

Situado em um ambiente apocalíptico da corrupção, a tecnologia anti-humana e um governo cruel, o novo álbum conceitual do Muse nasceu. Drones é uma crítica moderna ao sistema que oferece uma salvação promissora; explora o progresso de um ser humano que está abandonado e perde a esperança. A lavagem cerebral que ele sofre ao ser manipulado e sua eventual rebelião para se libertar de estas forças opressoras. “O que estou tentando fazer é amarrar os sentimentos da viagem pessoal do indivíduo e amplificá-lo ao que está acontecendo no mundo de hoje”, disse Matt. Bellamy apresenta um percurso narrativo e emocional que começa com “Dead Inside”, onde a pessoa perde a fé na vida, no amor e em si mesmo.

“Psycho” contém poderes das trevas que eliminam a entidade humana, com “Drill Sergeant” como um segmento de abertura que nos lembra a obra-prima de Pink Floyd “The Wall”, de 1979. “Uma pessoa que é vulnerável e fácil de manipular, e é deixado para o comando de muitos outros, pode ser o extremismo religioso, a milícia, as corporações ou mesmo um adorável casal. Há sempre algumas pessoas que estão tentando se aproveitar dos fracos”, disse Matt. Suas gêneses e personificação tomam a liderança nesta ópera rock, que inclui canções de 7 a 10 minutos, com riffs longos que derretem em agudos, com vocais de Bellamy que evocam pilares do rock britânico, como Queen e David Bowie. Os exemplos desta concepção são “The Handler”, “Revolt” e “The Globalist”, canções onde o protagonista finalmente derrota os vilões, apenas para se tornar um novo ditador que quase destrói tudo. Na faixa “Drones”, Bellamy reitera os pontos, terminando o álbum com um “Amém”.

 

Sua filosofia e preocupação com o futuro

 

Desde o início do século passado, houve uma preocupação com a convivência da humanidade e as máquinas. Revistas como “Amazing Stories” imprimiram alguma fantasia e literatura de ficção científica durante os anos 80. HG Wells gerou uma imagem petrificante do caos após uma invasão alienígena com “Guerra dos Mundos”. Fritz Lang capturou uma distopia urbana futurista com o filme “Metrópolis”, criticando a revolução industrial. Mais tarde, George Orwell visualizou uma sociedade manipuladora e os oprimidos com o seu livro “1984”. O bioquímico Isaac Asimov explorou o comportamento anômalo de robôs no futuro, em seu conto “Eu Robô”, e Alan Turing, pai da moderna ciência cognitiva, apresentou sua hipótese sobre como o cérebro humano pode ser usado como uma máquina computadorizada lealmente apoiando inteligência artificial.

E hoje em dia, vivemos no futuro que esses grandes examinadores vislumbraram, e de onde Matt Bellamy recebe sua inspiração. Ele estava lendo um artigo do The Guardian que falava sobre drones automáticos que são usados para caçar animais, e começou a questionar a possibilidade de esses drones atacarem objetos errados, e se realmente isso acontecesse, quem seria o responsável por isso.

“Hoje nós começamos a perceber que talvez a evolução da tecnologia não seja uma coisa tão boa como pensávamos que seria. O século XXI substitui os seres humanos por máquinas que estão agora cuidando de produzir coisas que nós usamos todos os dias. Esse foi o início de algo que agora está fora de nosso controle. “Drones é uma grande representação do mundo, do curso da revolução industrial aos dias atuais.

“Finalmente estamos no ponto em que é aceitável debater se as máquinas devem ou não devem matar sem intervenção humana”, conclui.

O princípio do Muse transcende acima de tudo, a banda mantém-se fiel ao que eles são, e o que eles querem. Eles conseguem se conectar de diversas maneiras com as pessoas. Preocupações genuínas inspiram este grupo britânico para continuar o seu desenvolvimento através do tempo e espaço, deixando uma marca profunda na história da música.

Talvez não seja o momento ainda de apreciar tudo o que eles fizeram, o tempo vai determinar o valor real e o peso do Muse. Agora é o momento de aproveitar essa amostra dos talentos desenfreados, seu entusiasmo e suas criações de magia no palco. Viva o rock britânico!

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Drone trilingue de inglês, francês e espanhol, raptado de outro dono e caçador de notícias nível expert. Programado para ser extremamente educado e gentil.

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