Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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[ENTREVISTA] DOM FALA SOBRE OS SHOWS DA DRONES TOUR!

Muse, os favoritos de Montreal, realizaram um show nessa quarta-feira no Bell Centre. O baterista Dominic Howard sentou-se com o Montreal Gazette, e conversou com Jordan Zivitz antes do show para falar sobre o novo álbum do trio britânico, Drones, e seu show super elaborado. Aqui está uma transcrição da conversa.


Montreal Gazette: Vocês estão fazendo uma turnê com o palco no centro da arena. Eu queria saber se você poderia falar um pouco sobre os benefícios e os desafios dessa estrutura, em comparação com o que já realizaram em turnês anteriores.

Dominic Howard: Sim, com certeza. É completamente diferente estar lá no meio. Quero dizer, tentar se acostumar a fazer o show com o público todo em torno de você. Tipo, você se dar conta que você sempre pode estar dando as costas para alguém (risos). É um grande desafio, sabe. É algo que sempre tivemos vontade de tentar. Nós meio que conversamos sobre isso na turnê do The 2nd Law (2012), e na do The Resistance (2009) nós conversamos sobre estar completamente no centro da arena, mas desta vez decidimos: “Sim, temos que fazer isso!” É difícil, no entanto. Quer dizer, eu suponho que tem os aspectos positivos, estamos tão perto do público. As pessoas que estão na pista ao redor do palco, eles estão bem ali, e as pessoas nos assentos estão um pouco mais além, então um monte de pessoas estão no campo de visão, ao nível dos olhos, com você, o que é bem legal porque você pode realmente ver as pessoas. Você pode ver as caras – eu consigo reconhecer pessoas na plateia e coisas assim. Então, eu suponho que a interação com o público é muito mais perto, muito mais pessoal do que em uma configuração tradicional. Sim, isso é legal. Mas é um desafio, na medida em que eu acho que nós tivemos de mudar a nossa forma de executar o show, porque, como eu disse, não há nenhum lugar para se esconder. Matt (Bellamy, vocal e guitarra) e Chris (Wolstenholme, baixista) particularmente, costumam correr e andar pra todo lado, cantando um verso ali, um segundo verso lá. Portanto, nos movimentamos muito mais, talvez, em comparação com um tipo tradicional de show. Mas é legal. Demorou um tempo para gente realmente começar a curtir, mas acho que agora nós estamos começando a nos acostumar com isso. Quando começamos, era tipo, “Jesus Cristo, nós não vamos fazer isso nunca mais!” (risos). Mas sabe, eu acho que agora nós estamos começando a gostar. Leva um tempo pra entrar no esquema das coisas.

 

MG: E esse design do palco está ligado a várias outras questões importantes para o show, certo? Eu sei que você tem drones voando ao redor da arena. A configuração circular do palco foi feita especificamente para acomodar isso?

DH: Em muitos aspectos, sim. Como eu disse, eu acho que nós sempre quisemos experimentar e sair do palco comum, por isso claramente fazia sentido com este álbum que foi chamado Drones, e sabendo que nós queríamos tentar incorporar alguns objetos que voam no show. Pensamos, “Bem, nós temos que ir no meio e tem que ter um monte de coisas voando em torno de nós.” (risos) Então, isso é, literalmente, onde a ideia começou. Mas sim, estar no centro definitivamente encaixou-se nisso.

MG: Quando eu li sobre os drones, a primeira imagem que me veio à mente foi da apresentação ao vivo de do Pink Floyd, The Wall, com o avião de bombardeio mergulhando no palco no início. Estes drones são bastante malévolos?

DH: É um pouco mais misterioso do que isso. Eu também vi The Wall, e achei fantástico. Foi muito inspirador ver, com certeza. Sim, é completamente diferente; é um pouco mais misterioso, porque os objetos voadores, os drones, eles estão flutuando ao redor – eles não estão presos em fios ou qualquer coisa assim. Quero dizer, é muito legal porque eles saem e você acha que eles estão pendurados no teto, mas eles estão programados para se movimentar e fazer certas coreografias, dançando ao redor do palco, quase. Então, nós queríamos torná-los um pouco mais ameaçadores e fazer o público se sentir um pouco tenso, às vezes, também. E também temos um grande, uma grande espécie de drone Reaper que sai e começa a scanear o público no final do set. Então, novamente, a ideia era apenas fazer o público se sentir um pouco ameaçado ou algo assim, apenas por alguns segundos (risos).

MG: Quando vocês começaram, sempre sonharam em fazer este tipo de produções? Porque eu lembro de ter visto vocês quando começaram a tocar como atração principal aqui, e a impressão que eu tive nesses clubes, é que eram muito grandes para lugares pequenos.

DH: (Risos) Eu acho que nós meio que partimos para grandes shows de muitas maneiras. Quando começamos, estávamos obviamente tocando em pequenos clubes, e nós só colocávamos um pano atrás e era “tudo baseado na música, cara.” Mas algo mudou, especialmente em torno do nosso terceiro álbum (Absolution, 2003), quando começamos a tocar em arenas e espaços maiores. Pensamos, “Nós temos que fazer alguma coisa com todo esse espaço. Não podemos simplesmente subir no palco e tocar ” – mesmo que fôssemos muito bons. Não é qualquer um que consegue ser um Bruce Springsteen (risos), subir no palco e ser um gênio, sabe? Quero dizer, algumas pessoas conseguem, mas nós sempre sentimos que tínhamos de fazer alguma coisa. Então nós entramos com tudo, com um monte de telas de vídeo, projeções, e coisas assim, desde o começo. E sempre pensando nas pessoas no fundo do local do show, pensando se eles podem realmente ver ou sentir o show. Foi muito daí que veio essa ideia. E então eu suponho que nos tornamos um pouco conhecidos por exagerar um pouco nos shows, e a coisa foi crescendo até que chegamos a essa coisa gigante que é a Drones Tour 2016. (risos).

MG: Existem noites quando vocês olham pra trás e pensam, “Seria legal ser como Springsteen”?

DH: (Risos) Sim, nós literalmente conversamos sobre isso toda noite (risos). Nós falamos, “Ahh, na próxima turnê nós só vamos tocar, sem nada.” Eu não sei — nós fizemos um pouco disso no começo desse álbum, na verdade, um pouco antes de ele ser lançado, no último verão. Nós fizemos uma pequena turnê em lugares pequenos. Apenas por diversão, na verdade. Apenas para nos aquecermos e nos divertirmos. Sem nenhum tipo de produção ou qualquer coisa. Era apenas nós no palco, e foi sensacional. Foi incrível. Quero dizer, foi em lugares pequenos, mas foi bom o sentimento de perceber que ainda podemos fazer isso. E eu acho que público se divertiu, porque era apenas a música e nós no palco, ao invés de um grande e velho…conceitual… pesadelo (risos).

MG: Mesmo quando é só a música, porém, sua música sempre soou grande. Talvez seja isso que eu estava pensando quando eu disse que parecia que vocês eram muito grandes para lugares pequenos. Quando começaram a tocar na América do Norte, esses locais tinham capacidade para 1.000 pessoas.

DH: Sim, acho que sim. Nós sempre tivemos essa tendência de fazer música com muitas camadas, com uma sonoridade grande, com sonoridade épica. E um monte de nossas primeiras influências vieram de misturar piano e música clássica com rock, e que criou uma característica épica, grandiosa para a nossa música quando começamos a misturar esses estilos. Assim, a música, definitivamente, na época do nosso terceiro álbum – bem, acho que no segundo álbum (Origin of Symmetry, 2001) – começou a realmente expandir e ficar maior. E, mesmo naquela época quando éramos jovens, nós sempre tivemos sonhos de tocar em festivais enormes, ser headliners de festivais e estádios e coisas assim. Nós provavelmente não tínhamos ideia, na época, que iríamos tão longe com essa produção e toda essa coreografia. Tá praticamente um Cirque du Soleil agora (risos).

MG: Bem, já que você lembrou do Cirque du Soleil: vocês têm alguma lembrança em particular ou vocês sentem uma conexão mais profunda com Montreal do que em algumas cidades? Porque vocês sempre foram mais famosos aqui do que na maioria das cidades norte-americanas, certamente.

DH: Sim. Toda vez que viemos a Montreal, só tivemos bons momentos. O público tem sido sempre surpreendente. Pulam – e gritam – muito! (risos). Então, sim, nós amamos isso aqui. E Quebec é um lugar na América do Norte que é muito parecida com a Europa, em muitos aspectos. O clima da cidade, e obviamente, a língua também. Então sim, eu acho que nós nos sentimos em casa aqui.

MG: Quando você estava falando sobre a música ser tão grande: quão difícil é, em geral, para uma música tornar-se uma música do Muse? Será que elas soam como suas músicas logo de cara?

DH: Depende de música para música, realmente. Algumas começam com uma idéia tão simples, e, em seguida, durante o tempo de gravar e finalizar, já viraram um monstro completamente diferente do que eram no começo. Sim, quero dizer, se tínhamos um objetivo nesse álbum, era tentar não ir longe demais, porque quando estamos gravando as músicas tendemos a colocar um monte de camadas e instrumentação. Nós realmente não conseguimos evitar. Então, normalmente colocamos muita coisa, e aí no final do processo começamos a descartar coisas para criar mais espaço. Mas eu acho que, instintivamente, nós gostamos de colocar muitos… teclados ou synths, ou cordas ou um monte de vocais, camadas disto e daquilo. É muito difícil para nós nos segurarmos. Mas eu acho que nós tentamos fazê-lo neste álbum, tentamos nos tornar um pouco mais, um, refinados, de certa forma no estúdio (risos). Acho que conseguimos.

MG: Vocês estavam apenas cansados de todas essas camadas, ou vocês quiseram ver se poderiam voltar para o começo de alguma maneira?

DH: Sim, eu penso que sim. Quer dizer, no nosso último álbum, The 2nd Law, eu acho que houve muita experimentação – o que é ótimo. Que nós amamos fazer. Mas havia um monte de experimentação com orquestras, coros – nós realmente fizemos tudo o que tínhamos direito, com o coro de 60 pessoas no último álbum (risos). E isso é algo que não tínhamos feito anteriormente – não a esse nível, de qualquer maneira. E nós realmente sentimos que daquela vez, colocamos o máximo de pessoas em uma única canção (risos). Com todas as cordas, orquestras, cantores e outras coisas. Então, quando nós começamos a trabalhar no novo material para o álbum atual, era apenas como nós fazíamos – nós começamos de uma forma muito menor, com apenas nós três tocando música em uma sala, e nós realmente começamos com aquele sentimento. Isso nos fez lembrar um pouco de como era quando éramos moleques e tocávamos no porão da casa da avó do Matt (risos). Então, nós nos prendemos nisso. Ficamos curtindo essa vibe. E por causa disso, o álbum acabou soando um pouco mais pesado, um pouco mais rock, com mais guitarras, de muitas maneiras.

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Drone trilingue de inglês, francês e espanhol, raptado de outro dono e caçador de notícias nível expert. Programado para ser extremamente educado e gentil.

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