[REVIEW] LONDON O2 ARENA – 03/04/2016

Muse aquece para Glastonbury com o primeiro da série de shows épicos na London O2

‘Um show arrasa-quarteirões – naturalmente épico”

Oh, Muse. Vocês lotaram arenas, elevaram-se ao status do Wembley Stadium, conquistaram a América, sentem-se tão confortáveis no V Festival quanto no Download, ditam as regras sobre o que é fazer um espetáculo de rock no século XXI, e estão prestes a ser uma das atrações principais do Glastonbury pela terceira vez. Para muitos, seria fácil se acomodar quando se percebe que restam poucos desafios a superar.

Na segunda noite da sua tour Drones no Reino Unido e a primeira de cinco noites na Arena O2 em Londres, você pode se perguntar se este é só ‘mais um show’ para o Muse- uma banda com tantos anos de estrada.

Quando as luzes apagam e drones vagam pela O2, circulando um palco central onde a banda estará apresentando-se em 360 graus, você percebe que quando não existem mais desafios, o Muse inventa seus próprios. Formados como um grupo de três grunges forasteiros em uma cidade apática no interior da Inglaterra, sua ascensão de “nerds mais extrovertidos do rock” para o que são agora, foi sempre pautada por suas próprias regras. Livres de qualquer competição e fatores externos, tudo o que resta para eles agora é tentar se superar.

MUSE – DRONES WORLD TOUR - 03.04.2016 10
E isso é algo que eles fazem bem demais. Desde que se tornaram uma banda de arena com seu terceiro álbum, Absolution, em 2003, cada tour desde então tem visto a banda destemidamente desafiando os limites do que é possível para uma banda de rock fazer no palco. Muitas bandas podem preferir evitar extravagâncias e apoiar-se puramente em seu desempenho e intensidade. No entanto, o Muse quer dar o pacote completo. Sua habilidade nisso encontra-se na sua melhor característica – eles são uma banda sem nenhum pudor, sem nenhuma inibição. E quando não se tem inibições, realmente não se tem limites.

Drones passam em volta da O2 enquanto a faixa título do seu álbum mais recente ressoa no estilo “ficção científica encontra canto Gregoriano”, lamentando a morte de incontáveis inocentes no Oriente Médio.

Assim como seus álbuns se tornaram conceitos completamente desenvolvidos, não se pode culpar a banda por fazer isto se manifestar fisicamente na arena. A O2 essencialmente torna-se seu próprio parque temático, e quando o riff poderoso de Psycho soa pelo local, você sabe que esse será um passeio e tanto.

Enquanto o palco gira e a banda corre de ponta a ponta em seu palco, Muse faz tudo o que pode para tornar a noite pessoal – todo canto da arena recebe total atenção. O ensurdecedor grito de guerra de Reapers unifica todas as vozes numa fúria digna dos moshpits; a alegria de Bliss nunca pareceu uma experiência tão contagiante.


A batida industrial e crua de Dead Inside chega agora como uma velha favorita, enquanto The Handler, lembrando a época de Absolution, firma seu posto como uma das melhores músicas que a banda produziu nos últimos anos – enquanto visuais deslumbrantes projetam a banda sendo controlada como fantoches. É um triunfo audiovisual.

A história do conceito de Drones abre espaço para músicas mais antigas, trazendo muitas músicas de Black Holes And Revelations, que assustadoramente celebra seu décimo aniversário esse ano. O funk-metal de Supermassive Black Hole e a elegância pop de Starlight fluem com uma perfeição que agrada o público, e a inclusão surpresa da subestimada, embora épica Map of The Problematique torna-se sem dúvida o ponto alto da noite.

Momentos assim são um crédito para o Muse – eles são tudo, menos previsíveis. Naturalmente os sucessos Time Is Running Out, Hysteria e Madness são tocados para consolidar a setlist, mas parece que nesta noite somos agraciados com uma fascinante versão do seu cover de Feeling Good, ao invés do hino consagrado Plug In Baby. Outras datas desta tour viram a banda tocar estas canções e também Citizen Erased, e a chocante exclusão de tanto material de Origin of Symmetry é a única decepção real da noite. Ainda assim, preferimos isto a ver uma banda conformar-se e tornar-se um museu de hits em turnê.

Uma cortina cai enquanto a banda termina sua primeira setlist com The Globalist. Uma paisagem distópica é projetada através do palco enquanto Bellamy lidera o trio por uma mini odisseia do rock que amplamente traça seu próprio DNA – um mundo onde o rock encontra a música clássica, e Freddie Mercury anda de mãos dadas com Elgar.

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Retornando para um bis com a amarga declamação anti-Bush de Take A Bow, o esplendor animado de Mercy e o melhor encerramento space-rock de Knights of Cydonia, pedaços de papel chovem em nossas cabeças enquanto a banda emerge da batalha consigo mesma, plenamente vitoriosa.

Talvez seja elaborado ao ponto da insanidade, mas é isso que passamos a esperar – dificilmente pode-se chamar de ‘ridículo’. Tudo é exagerado, mas completamente calculado. Chame-os do que quiser, mas celebre-os pelo o que são: um exercício em rock blockbuster. Sem pudores, inibições, medo; sem limites.

Glastonbury, você é o próximo… Novamente.

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Super Drone da Tradução, nerd e fã incondicional.

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