Tudo sobre a banda britânica Muse formada por Matt Bellamy, Dom Howard e Chris Wolstenholme.

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Entrevista Q Magazine – Atualizada com a Parte 2

A Glória da Loucura

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Enquanto a poeira baixa em Londres 2012, os verdadeiros medalhistas já partiram, mas os vitoriosos do ‘Time Pop’ ainda estão por ser decididos. Esse foi o maior jukebox global desde o Live Aid. Quem são os Freddie Mercuries e Bonos saltando para um novo e super elitista nível de estrelismo?

Muse, é claro, tem sido apontado como o novo Queen há uma década ou mais. O espalhafato da música oficial das Olimpíadas, Survival, tanto introduziu os atletas no Stratford Stadium quanto ressoou nas cerimônias de entrega de medalhas com o encanto apropriado. Não houve o estilo vamos-todos-nos-abraçar com que o Arctic Monkeys tocou Come Together na cerimônia de abertura, mas sim um ode descarado para perseguir o ouro.”Corrida, a vida é uma corrida”, incita, como no corpo cheio de adrenalina de um atleta, “E eu vou vencer”.

Tal ambição nua sempre foi a razão de ser de Muse. Formada em Teingmouth, ele chegaram ao final da adolescência durante a fase de expansão do Britpop. Seu sucesso foi fundado em um desejo sem desculpas de atingir os mais altos níveis do rock – mesmo que isso significasse fazer de suas apresentações beirar o ridículo que faria até mesmo o falecido Sr. Mercury arquear uma sobrancelha zombeteiramente em sua tumba. E Survival, com seu estilo Bohemian Rhapsody-mega-rock explosivo, apocalíptico e meio maluco marca um novo limite na carreira de extremos de Muse.

Essa música… Você nem vai acreditar que estou prestes a usar a palavra “sutil”, diz o loquaz vocalista Matt Bellamy, que está relaxando seu jet-lag com uma overdose de cafeina em um sofá em East London. “Claro que nós estamos cientes do quão louca, até mesmo bobinha, que ela é. Mas quando eles nos abordaram sobre fazer alguma coisa para as Olimpíadas, era para ser algo meio sutil. Talvez um pouco mais misteriosa do que acabou se tornando.”

A proposta para participar das Olimpíadas chegou como uma conjuntura fortuita Novembro passado, poucas semanas depois de os três membros de Muse se reagrupar no famoso Air Studios em Hampstead para começar a gravar o sexto álbum.

“Quando eles nos perguntaram, pensamos numa música específica de piano que Matt vinha tocando”, relembra Dominic Howard, o cortês baterista, sempre defensor de excessos no rock. “Instantaneamente, pareceu se conectar com as Olimpíadas. Nós sabíamos que seria grande por causa da maneira que foi construída, a jornada épica de uma música. A abordagem deles plantou uma semente em nossas cabeças, de que precisava ir além, ter essa grandiosidade” – ele infla o peito, como se estivesse triunfante no alto de um pódium – “para representar a dimensão do que é as Olimpíadas; a maior competição do mundo.”

Misturando uma ópera meio estranha e metal, Survival serviu como um trailer inconvencional e subversivo para a última missão de divulgação de Muse. Embora eles tenham entrado na super liga do rock quando tocaram em Wembley em 2007, permanece a suspeita de que eles sejam uma bandinha artística/gótica cult que se superou. Bizarramente, mesmo depois de mais de 15 milhões de álbuns vendidos e incontáveis shows em estádios, Muse ainda tem que convencer muita gente.

E então, na possibilidade de estarem em seu melhor estado de saúde e eles emergem com todas as armas em seu sexto álbum. Intitulado The 2nd Law, é uma grande marca d’água em sua ambição criativa. O baixista Chris Wolstenholme põe de maneira concisa: “Dessa vez, nós realmente fomos longe”

2ª Parte –

Na cobertura de um clube privado em Londres, um punhado de banhistas de biquíni e alguns executivos aproveitam ao máximo os vinte minutos de intervalo ao sol nas espreguiçadeiras ao longo da piscina. Embora haja muita gente para olhar, poucos se dão ao trabalho de dar uma olhada vem andando para encontrar com a Q. Ele admite que está usando um tipo de disfarce – um suave cavanhaque – mas o fator de reconhecimento é incrivelmente baixo para tal titã do rock, que não apenas vendeu mais de 160 mil ingressos em seu ultimo show em Londres, mas também virou alvo dos paparazzi quando começou a namorar a atriz Kate Hudson.

O romance parece ser um furacão hollywoodiano. Eles ficaram juntos na primavera de 2010, Hudson engravidou no final do mesmo ano, eles anunciaram o noivado em Abril de 2011 e Bingham Hawn Bellamy – também conhecido como Bing – chegou em Julho.

“Ah, sim, eu estava lá na hora do parto”, Bellamy relembra. “Eu estava assistindo a tudo. Eu estava segurando a perna dela para cima enquanto ela o empurrava para fora. Ela não queria que eu assistisse, mas eu estava lá sujando as minhas mãos, por assim dizer.”

É bem diferente de encher a cara de cidra numa praia de Teingmouth, ah é. Como resultado das novas responsabilidades de Bellamy como pai e futuro marido, Muse divide o tempo entre Londres e Los Angeles, onde Dom Howard também mora (como roqueiro inveterado, ele mora no alto das colinas de Sunset Strip.

Então, quando nos encontramos com a banda novamente, é no pátio do Chateau Marmont Hotel em Los Angeles, o infame ninho de desaventuras do rock and roll, onde, sabidamente, John Belushi sofreu uma overdose fatal. Os membros de Muse provam ser notavelmente abertos e realistas, mesmo ao discutir os altos e baixos da elite roqueira mundial. Por exemplo: Matt Bellamy comenta que eles não fizeram nada no ano anterior que eles começaram a trabalhar no The 2nd Law, fora “algumas coisinhas aqui e ali”.

Ele está se referindo ao insignificante headline nos festivais Reading & Leeds.

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“Nós não temos medo de nossas excentricidades”, ele diz sobre a tendência barroca da banda – o vestuário à lá Blake 7, o palco meio remoto, a indulgência do rock sinfônico. “Não temos medo de fazer rock no estilo Monty Python. Mas é como ópera. Se você tocar um pedaço de uma ópera, é ridículo a menos que você ouça a coisa toda e realmente tente ir a fundo. Às vezes você ouve aquela coisa louca. Para nós, conseguirmos tocar esse tipo de coisa é muito divertido pois é uma maneira de poder expressar a nossa loucura, sem medo.”

Ele mesmo raramente consegue ouvir Survival sem rir no final, ele admite. O clímax, quando Bellamy atinge o pico do falsetto que traz lágrimas aos olhos, é quase um momento de comédia até mesmo para o homem que o cantou. “Nós não nos importamos se as pessoas não nos levarem 100% à sério, necessariamente”, ele diz, animadamente. “Eu também fico feliz quando o público fica [cobre o rosto com as mãos e morre de rir] e dizem ‘eu não acredito que eles fizeram isso’! Eu acho tão recompensador quanto quando eles ficam [cara de veneração] ‘Nossa, cara, isso é brilhante!'”

Embora todo álbum do Muse tenha testado os extremos épico/cômico de seu som à exaustão, o The 2nd Law realmente vai mais longe. O primeiro single, Madness, por exemplo, leva a inclinação electro-funk-R&B de Muse (veja hits anteriores, como Supermassive Black Hole) à uma conclusão lógica. Os primeiros dois minutos são completamente gerados eletronicamente, mas pela voz de Bellamy. É quase dubstep, mas se abre numa bridge section que mais prece com U2 na época de The Unforgettable Fire. Em termos de Queen, é mais ou menos o I Want to Break Free – até mesmo os ‘do contra’ lutarão para não assoviar junto com a música.

Enquanto isso, Panic Station é meio Prince, funk dos anos 80, completada com slap bass e trompete e um refrão que parece o Suicide Blond, do INXS. Partes da faixa título relembram trechos de trilhas sonoras de filmes de ficção científica estilo Matrix. E, como já ouvimos, jogaram de tudo em Survival, menos a pia da cozinha. Eles contrataram um coral para a gravação da música e, no momento que começaram a cantar, Bellamy começou a chorar de rir novamente.

“É tão operática”, ele relembra, “tão completamente diferente de como eu a ouvia na minha cabeça. Mas é isso aí mesmo: escrever coisas que nos desafiem a soar diferente do que a gente acha que soa. Survival é o que é, então por que não ir até o fim? Eu não entendo muito sobre sutileza.” Ele para e considera. “Uma dia terei um enorme zepelim com o formato de OVNI para vir e pousar num estádio. Venho tentando fazer isso há anos, mas ninguém me deixa fazê-lo.

Bellamy devora um prato de espaguete à bolonhesa. Embora ele tenha acabado de voltar de suas obrigações paternas em Holywood Hills, ele parece ser a última pessoa a reclamar de qualquer aspecto da vida de rock star.

Bellamy tinha a reputação de ser um monstro de pelúcia nos primeiros anos de Muse, e viveu alguns anos na Itália, com a namorada italiana, a psicóloga Gaia Polloni. “Eu nunca quis um relacionamento sério”, ele disse naquela época.

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Hoje ele está mais inarticulado à respeito de seus relacionamentos. Isso é bem sábio, já que agora ele está ligado para o resto da vida à realeza de Hollywood. Kate Hudson é filha de Goldie Hawn. Ela tem um filho de oito anos, Ryder, filho de seu primeiro marido Chris Robinson, do Black Crows. Só isso já adiciona muito à uma vida que já está muito longe do que muitos julgariam “honesto”.

Jogue isso tudo à privação de sono associado à recente paternidade, mais o jet-lag depois de voar de Londres até Los Angeles e você terá um estado de espírito que até mesmo os viajantes mais hardcore terão dificuldade de classificar como sanidade.

Bellamy luta contra a fadiga com múltiplos expressos. Quando a Q faz a mínima menção introdutória sobre os temas do The 2nd Law, ele começa um monólogo disparado sobre o colapso da economia global, a mudança climática e as leis da termodinâmica – especialmente a segunda, que intitula o álbum.

“É a que diz que nenhum sistema pode crescer sem energia”, ele diz, “Olhe os noticiários, hoje em dia. Há essa conversa constante sobre crescimento, e parece que todos estão em negação do fato óbvio de que estamos chegando ao limite. Algumas musicas, como Survival, estão praticamente celebrando essa força que temos, de evoluirmos até esse ponto depois de centenas de milhares de anos em condições difíceis. Mas agora nós podemos ver que iremos enfrentar o colapso disso tudo – embora nossa história, como seres humanos, parece que sempre vai ao contrário das leis da ciência.”

Mas Muse também não é assim, um sintoma da expansão lógica do homem? Maior, mais amplo, mais insano.

“Oh, sim”, Matt diz e ri. “Você pode dizer que nós temos nossos próprios problemas com crescimento. Não estou me escondendo das contradições em nossa própria música, ou em mim mesmo. Na verdade, é mais ou menos isso que estou expressando no álbum inteiro”.

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Em breve postaremos mais uma parte desta matéria traduzida nesta página, aguardem!

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